Um Tiririca lindo com voz embargada cumprimenta faxineiros

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O Brasil não pode deixar o discurso de Tiririca passar em branco (no final o link). A menos que esta sociedade seja, verdadeiramente, muito burra.

A grande imprensa deveria abrir imensas manchetes sobre este episódio. Os jornalões deveriam homenagear Tiririca. As Universidades e a Igreja, a culta, também.

A única e última vez – conforme disse ele próprio- que o grande Palhaço subiu à tribuna da Câmara dos Deputados, honrou mais o povo brasileiro do que todos os 500 deputados ali juntos. ‘Ali’, não, porque só havia umas duas dúzias.

É claro que Tiririca não falou tudo, formalmente. Não seria indelicado de falar ‘mais’ de o que falou. Mas falou tudo, substancialmente.

Apontou a patifaria, a desonestidade, o descompromisso, o preconceito e o que mais há de pior nas ‘autoridades’ que recebem salário do povo e fazem questão de não saber que há um ‘povo’. Comum, necessitado.

Parei tudo para escrever este artigo num quarto de hotel em Brasília, após ouvir o discurso de Tiririca.

No dia de ontem falei para um amigo, ao ver um dos tantos mendigos na rua, que o mendigo de Brasília ‘calibra’ o político brasileiro. Tão fisicamente próximo e presente das ‘autoridades’, todas, de todos os poderes e órgãos. E tão efetivamente distante e abandonado. Meu amigo falou que se a sociedade brasileira se interessasse pela economia como se interessa pelo futebol, o país seria outro.

Há que se reparar que essas ‘equações’ sociais existem. Pessoas pensam o país, querem um país melhor. Mas também há que se reparar que o estamento, a casta pública que começa a ser desnudada como a classe milionária deste século 21 do país é o horror que este Estado essencialmente desonesto e assaltado por ‘autoridades’ patrimonialistas pariu. Milionária sim e obviamente sim, se confrontada com o povo referido por Tiririca.

Há 7 anos quando Tiririca se candidatou ouvi de não pouca gente preconceituosa que como era possível um Palhaço, um idiota, um imbecil, um qualquer se candidatar. Que não tinha ‘curso superior’, essa mentira esperançosa vendida como bruma existencial para acesso a uma classe-Miami mental.

Fiquei muito feliz com a candidatura Tiririca à época. Hoje o Palhaço honrou aquela minha felicidade com voz embargada dizendo-se profundamente decepcionado.

Seria ‘política’ a fala de Tiririca? Seria para ‘causar’? Seria para ‘conseguir’ uma reeleição, como lutam famintos os políticos brasileiros em único e exclusivo interesse, e como não lutam por absolutamente nada (!) a quase totalidade das autoridades vitalícias brasileiras a não ser as indecorosas férias múltiplas e benefícios imorais intermináveis?

‘Parece’ que Tiririca foi sincero. Mesmo que não tivesse sido, valeu. Mas o pior, para a própria desgraça dele próprio, é que foi sincero.

A política brasileira tendo chegado a esse poço de patifaria, corrupção e falta de pudor é tudo o que Tiririca falou e é também o que só falou para quem interpreta um pouquinho mais a fundo.

Que a sociedade brasileira não deixe esse discurso passar em branco. Que pais mostrem e conversem com filhos sobre isso. Que professores discutam nas aulas – e não sejam demitidos-. E que as ruas voltem a estremecer, que a sociedade volte a estremecer. Não é possível uma democracia anestesiada. Não é possível um 2018, com eleições, igual. Com o mesmo ranço e os mesmos vícios eleitorais.

Obrigado a Tiririca por nos vingar. Uma vingança pífia, mas a vingança possível contra a horda.

Veja o discurso:  https://www.youtube.com/watch?v=rsa62An8xkk

 

OBSERVATÓRIO GERAL / Jean Menezes de Aguiar

[Artigo republicado no BRASIL 247]

 

 

 

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Categorias:Cidadania online, Política

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