Eleições de 2014: com internet vem aí a carniçaria a céu aberto

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Alguns estudiosos reclamam da falta de radicais. Mas isto é restrito às teorias. No dia a dia, a política partidária tem o poder de alterar humores sociais. Não de grandes massas, mas de filiados e militantes de partidos políticos. Pelo menos é o que tem se percebido no mundo social e jornalístico da internet.

O brasileiro não tem a política nos olhos vermelhos de sangue como, por exemplo, os espanhóis. Mas, de novo, há grupos bastante concentrados. Tanto à direita quanto à esquerda.

Millôr Fernandes dizia: não gosto da direita porque é da direita e não gosto da esquerda porque é da direita. Esta parecia ser uma verdade deliciosamente cínica na década perdida, 1980. O mestre sabia tudo. Mas vive-se, atualmente, uma agudização nas relações, não apenas partidárias, mas sociais.

Torcidas de futebol se tornaram criminosas. Estádios de futebol viraram “arenas”. Companheiros maritais passaram a se matar com muito mais frequência.  Com as redes sociais este agravamento das relações parece ter chegado às eleições de 2014. Marilena Chaui (Cultura e democracia, p. 345) afirma: “Há no Brasil um mito poderoso, o da não-violência brasileira, isto é, a imagem de um povo generoso, alegre, sensual, solidário  que desconhece o racismo, o sexismo, o machismo…” A pensadora está certíssima: um mito.

O discurso da militância PT – PSDB se radicalizaou visivelmente neste 2013. Pode ser impressão, ou alguma influência das manifestações de ruas. A radicalização só é “boa” para analistas e teóricos que leem e traçam cenários. Posições equilibradas e fundamentadas, nem se comparam, são de longe as melhores.

O território da internet, sabidamente livre e aparentemente irresponsável no plano político partidário, está prestes a virar um octagon das lutas políticas em 2014.

Análise de alguns perfis da díade PT – PSDB pode ajudar. O PT completando na reeleição de Dilma 4 mandatos consecutivos, sempre ostentou dois fatores. O viés esquerdista e uma força histórica de luta para derrubar o poder que existia há décadas. Ninguém nunca considerou o PT um partido em cima do muro. Nunca houve esta antropologia nele. Sua origem foi como pedra, não como vidraça. Isto lhe deu um caldo cultural de luta e combate.

O PSDB também nasceu de costuras políticas. Mas suas costuras o levaram a ser identificado, historicamente, como um partido de muro. Foi com o PSDB, na história recente do país, que se hipertrofiou o conceito de centro, havendo nesta gênese certa fraqueza que contamina a militância e mesmo seus próceres. Mas observe a lição de Darci Ribeiro: “Existe uma intelectualidade vadia pregando que a direita é burra. Não é, não.” (Confissões, p. 298).

Se a direita não tem a força da esquerda, no combate, para tomar o poder, teve por décadas a força reacionária violentíssima para não perdê-lo. Inclusive para manter o projeto de apropriação financeira no Estado, que criou a sedimentada cultura da corrupção. Com o advento da tomada do poder pelo PT essas forças se inverteram. Agora é o PSDB  que tenta manejar a força para derrubar o poder estabilizado. Mas o PT além da força própria da esquerda, agora tem o poder formal nas mãos, vigendo como governo. São 2 fatores praticamente impossíveis para o PSDB.

A psicologia social dessas forças é sabida. Noam Chomsky, citado por Bobbio (Direita e esquerda, p. 19) é curto e grosso: “a esquerda está do lado dos pobres e a direita do lado dos ricos”. Daí, não seria errado dizer que a militância pobre tem mais garra. Já a rica é acostumada a obter sem grandes necessidades de enfrentamentos. Afora o maniqueísmo, as posições se explicam razoavelmente.

As últimas estatísticas que dão vitória a Dilma, mostram seu opositor direto, o PSDB e coligados, com um número residual de eleitores e manifestantes pequeno. Ainda que coeso e barulhento, proprietário, por exemplo, da chamada grande imprensa. Mas talvez falte a incomensurabilidade do povão referido por Chomsky para tirar o morro do lugar. O grande problema hoje do PSDB é que a massa dilmou. OBSERVATÓRIO GERAL.

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