
Vive-se uma época curiosa. Pessoas saem juntas para um restaurante, mas não conversam, cada uma fica olhando e interagindo com seu egocêntrico celular. E só.
Num cenário destes há um misto de egoísmo e ojeriza ao Outro-aqui. Aí, uniões e convívios saem de cena, ou de moda, ainda que o isolamento seja uma decisão pessoal bem ruinzinha, pois reveladora da falta de sabedoria. Sim, convívios e harmonias reais, físicos e presenciais são padrões inteligenciais.
A invenção do condomínio fechado, por exemplo, em muitos lugares, representou um paradoxo. São ruas autoritariamente privativas onde estranhos jamais podem entrar, com uma ali vizinhança parecida, que escolheu o local, tudo administrado profissionalmente por uma empresa distante e serviçal – remunerada-, para que os moradores tenham, ao mesmo tempo uma sensação de segurança e sossego, mas principalmente de superioridade em relação àqueles ‘empregados’ visíveis. Só que, o curioso é que em muitos condomínios, o chique é não se dar com ninguém, sendo, aí, esse chique qualquer coisa ligada a chiqueiro.
O que se vê é, tanto na família, como na vizinhança condominial, por exemplo, uma busca por autossuficiência em células. São os ‘interiores’, que o filósofo Gilles Deleuze aponta em crise.
Por outro lado, em ruas e vidas comuns, não imperializadas em condomínios trancafiados, quando há algum distúrbio ou ameaça, as pessoas reclamam. Na fila do açougue, ou num grupo de wsapp – se os moradores se compuseram assim, se chegaram a formar um tal grupo telefônico, desses, ‘ótimos’, para a praga do ‘bom dia’-. Mas a revolta não passa muito disso. São estrilos verbais, reclamações e eventuais xingamentos. Não há ação coordenada, planificação, sistemas de reação inteligentes. Não há solidariedade funcional, ou solidariedade de resultado.
Nas sociedades piegas e conservadoras, os apelos são por moralismos, não pelas soluções objetivas. Fica exposta, aí, uma deficiência de racionalidade nas ações.
Já as decisões geniais são sempre encantadoras e deslumbrantes. No livro O Poder da Gentileza (The Power of Nice), de Linda Kaplan Thaler e Robim Koval, é ensinado um tipo de gentileza, de resultado, funcional, inteligentemente interesseira. Sem quaisquer invocações moralistas.
Assim, dentro desse padrão, estudos mostram que pessoas gentis têm mais sorte no amor (Universidade de Toronto), são mais saudáveis (Universidade de Michigan), e perdem menos tempo nos tribunais (Malcolm Gladwell, Blink – A Decisão Num Piscar de Olhos). Em uma palavra, se é que isso importa, vivem melhor e ganham mais dinheiro.
Uniões inteligentes – amizades bem estruturadas e confiantes- entre vizinhos, parceiros, amigos, profissionais e até companheiros de cama & sexo trazem muitas e inúmeras vantagens.
A união continua fazendo a força, mas, cada vez mais, só para os inteligentes, e isso, infelizmente, parece não ser mais a regra, ou a meta de muitos. Estes adoráveis da vida refletida conseguem muito, obtêm resultados, e levam a vida melhor. Já os outros, vivem pagando preços.
Jean Menezes de Aguiar.
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