Dia dos pais, é dia de amor!

pai filha negrosEm muitos casos a sabedoria só vem depois, com o arrependimento. Há filhos e pais que não se dão. Há os que conversam pouco. Conheça os 15 tipos de pais e as falas dos filhos. Algumas coisas não são óbvias, precisam ser ditas. Proposta do OG: aproveite o dia.

Vive-se uma época de consumismo em que as relações andam frágeis. Isto chegou também a pais e filhos. Antigamente pais e filhos brigados era um fenômeno absurdo. Na atual sociedade da reclamação e das pessoas mimadas, com baixa humildade, muita coisa mudou. Chegou-se ao tempo da barbaria moderna, filhos assassinando pais.

Outro dia, um pai morreu e se pôde perceber um interesse fugaz nas filhas em anunciarem o óbito no Facebook. Como se reparou que no dia seguinte, pelo mesmo programa, parecia que tudo já havia se normalizado, com risos e curtições. A morte de um pai parece estar perdendo em importância para o luto social exibicionista na rede. Afinal, não é todo dia que se pode tentar atrair atenções sociais pela perda do pai; como se vai perder essa chance? Aí está um exemplo de falta de reflexão.

Há um despretensioso livro intitulado “Para que meu pai me escute”, de Floriano Serra, meras 86 páginas. O autor analisa 15 tipos de pai. Conheça abaixo apenas as primeiras falas de diálogos reais, menos o último, que abrem cada capítulo do livro.

“1. Pai calado. Pai, quando você vai conversar comigo? Essa pergunta vem me perseguindo desde que eu era pequeno.

2. Pai carícia. Paizinho, vou lhe confessar uma coisa: sabe que, às vezes eu desejaria nunca ter crescido? Sei que isso é bobagem, dito por um homem já feito, mas e a pura verdade…

3. Pai desconhecido. Cara, não vou chamar você de pai. Nem ao menos o conheço! Não sei onde você está, nem como você é e muito menos o que faz na vida. Só sei que você é um irresponsável. Deve ter gostado muito de me “fabricar”.

4. Pai sonhador. Pá, meu poeta, meu eterno poeta… Meu querido visionário. Não posso dissociar de sua figura a imagem de D. Quixote. É assim que, até hoje, penso em você: como um idealista, um sonhador. Um homem que fez muito… na imaginação, na fantasia!

5. Pai agressor. Meu pai. Sinto um nó na garganta quando eu pronuncio essa expressão “meu pai”. Não sei se de raiva de você ou de mim mesmo. Já perdi a conta de quantas vezes vasculhei a memória em busca de uma recordação da minha infância com você – uma só que fosse alegre. Não consigo lembrar de nada alegre. Não há sorrisos no meu passado com você, pai.

6. Pai amigo. Paizão, você sabia que até hoje você é o meu melhor amigo? A turma fala por aí de pai-heroi, pai isso, pai aquilo, contam mil e uma coisas que os pais fazem… Bobagem! Perto de você, os outros são insignificantes! Porque você é o melhor de todos: é o meu heroi, meu melhor amigo, um cara superlegal, uma pessoa bonita! Você é demais.

7. Pai alcoólatra. Meu Pai, você está sóbrio? Podemos conversar… ou, pra variar, você está de pileque? Não quero faltar-lhe com o respeito falando assim, mas não há outra forma de saber se você vai me escutar. Quero dizer, se você me escutaria, porque o que vou dizer aqui, pai, nunca teria coragem de falar pessoalmente. Mas eu preciso desabafar, fazer de conta que tenho você agora à minha frente, cara a cara. Portanto se estiver sóbrio, escute-me.

8. Pai emoção. Papi, de tudo que aprendi com você, acho que o mais valioso foi sentir e expressar as emoções. Ainda bem pequeno, eu já conseguia perceber que seu olhar era diferente do olhar das demais pessoas. Você me olhava de uma forma incrivelmente cheia de ternura! Nesses momentos, eu sentia uma enorme sensação de paz e de segurança.

9. Pai autoritário. Senhor meu pai, você sabe com quem está falando? VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? Que pergunta mais ridícula, pai! No entanto, durante toda minha infância e adolescência, eu o ouvi perguntar isso a dezenas de pessoas: amigos e desconhecidos; em casa ou na rua; parentes ou não. Um dia você fez essa pergunta para minha mãe. E – tenho raiva de lembrar – até para mim, seu filho! Como se não soubéssemos, como se estivéssemos desafiando sua autoridade!

10. Pai ausente. Meu pai. Hoje ouvi pela milionésima vez o mesmo comentário a seu respeito: “Puxa, seu pai deve ser um sujeito muito importante! Está sempre ocupado, viajando, em reunião…! Ouço esse tipo de coisa desde que me entendo por gente.

11. Pai apressado. Ei, pai, tem um tempinho pra m…? Pai, eu queria te fa…? Pai, sabe o que me acont….? Pai, acho que estou um prob… Parece conversa de bobo, não é? Ou aqueles testes pra gente completar a frase… Você acha engraçado? Pois eram assim nossos diál… quero dizer, monólogos”

12. Pai pobre. Pai, eu gostaria muito que você me entendesse quando eu venho visitá-lo e insisto em sairmos para passear no parque, quando eu quero levá-lo a um restaurante, ou quando lhe trago presentes. Ah velho! Não faça essa cara… Você alega sempre que está cansado, ou que não está com fome, que eu não devia gastar tanto assim comprando presentes! Não diga essas coisas! Você sabe o que pretendo com isso? Eu quero proporcionar-lhe um pouco daquilo que você NUNCA teve ou usufruiu.

13. Pai careta. Senhor meu pai, como o senhor tem passado? A saúde do senhor está boa? Espero que esteja tudo em paz com o senhor. Bem, eu queria… eu gostaria de perguntar ao senhor se o senhor está mais, como direi, mais flexível. Ou seja, gostaria de saber se o senhor continua tão… tão careta como antes. Como já faz um bom tempo que não nos vemos desde que saí de casa, eu… eu gostaria de saber se o senhor… continua o mesmo.

14. Pai rico. Senhor meu pai, quanto vale seu amor por mim? Ou melhor, quanto vale meu amor por você? Um carro do ano, novinho em folha? Talvez uma volta ao mundo em 80 dias? Ou, quem sabe, um apartamento de cobertura? São coisas como essas que você sempre achou que me fariam feliz, não é, pai? Mas está tudo errado. Começou errado e continua errado.

15. Pai futuro. Paizinho, eu ainda sou um feto, ainda vou nascer. Aliás, já estou quase nascendo. Você sabe disso, não é? Eu sei que você sabe e espero que você esteja feliz porque vou chegar. Eu ficaria muito triste se não fosse assim.”

Os trechos acima servem, francamente, para comparações, este conceito tão estigmatizado, mas que ajuda a buscar melhorias e soluções, com fraternidade e amor. Há que se cuidar das virtudes e se querer melhorar os defeitos.

Veja duas situações. Uma jovem menina linda e rica que perdeu o pai prematuramente; e uma outra que brigou com o seu, há anos, e insiste em não lhe perdoar.

A perda prematura do pai é irreparável. Não poder dividir vitórias e dores com ele, não tê-lo em momentos significativos. É uma das provas irrefutáveis de que a vida é cheia de defeitos. Se os amores são diferentes, entre filha e filho, o menino perde o companheiro de vida; a menina perde a referência de amor e agarramento. Difícil saber o que possa ser pior.

Já no segundo caso, o perdão, fora os casos infames, deve ser a regra entre pais e filhos. A inteligência deve vencer as mágoas e o amor deve vencer os orgulhos. É difícil saber quem sofre mais, se a filha ou o pai.

A primeira menina teria muito a ensinar à segunda, mas elas não se conhecem. O autor do livro citado na última página conclui com um conselho sábio: “A palavra chave é o DIÁLOGO”. Talvez a este conselho se pudesse apenas somar: enquanto houver tempo.

Corra para o colo do seu pai, mesmo que você seja um homenzarrão e ele seja um pai careta ou autoritário. Vença-o pelo mimo e pelo amor. Converse e aproveite a existência dele até a última gota. Sua vida será infinitamente melhor. Este será o seu grande presente para ele.

Um beijo do OG para todos o pais.

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