A soberba de um lado e Lewandowski do outro

lewandowskiJoaquim Barbosa, na abertura da sessão do Supremo Tribunal Federal de 21.8.13, mostrou-se visivelmente desconfortável quando teve que se explicar sobre a ofensa a Lewandowski (foto). Tentou passar batido pela situação, lançando bravata, repetidas vezes, de que seu interesse como presidente era apenas a celeridade processual e a justiça, deixando tristemente subentendido que, se invocava tais preceitos para si, deixava em aberto que um ou outro colega poderia não se importar tanto com a ética do tempo processual. Lastimável que JB tenha escolhido este caminho.

Imediatamente após uma pausa, Lewandowski pediu a palavra “pela ordem” – o que representa uma intervenção formalmente forçada no discurso de alguém – e não deixou barato. Chamou os fatos a si e considerou ultrapassado o triste episódio a partir da maciça adesão de todas as classes da magistratura – citou nominalmente as três entidades brasileiras, do Conselho Federal da OAB, do Ministério Público federal e de diversos MPs estaduais, além de acadêmicos, profissionais e dezenas de editoriais da imprensa que saíram em sua defesa.

Celso Melo pediu a palavra e leu um discurso burocrático de apaziguamento e de história do Supremo, conclamando a harmonia e a não divisão.

Joaquim Barbosa retomou a palavra e insistiu no fato de que sua altercação foi em defesa de um processo judicial rápido.

Por fim, Marco Aurélio pediu a palavra e leu artigo que mandou para a revista Época, em dezembro de 2012, sobre a independência dos juízes. O que parecia uma leitura monótona e burocrática, acabou sendo uma grande tapa de luva. Ou na sociedade ou no próprio Joaquim Barbosa. Disse um firme Marco Aurélio que censurar o voto vencido – Lewandowski é voto vencido – considerando-o comprometido com uma facção político partidária é, no sentido inverso, permitir que o voto da maioria possa estar comprometido com a facção partidária antagônica, o que é, então, uma “hipocrisia”, nas próprias palavras do ministro. A lógica de Marco Aurélio se viu indefensável no caso. No final de sua fala, virou-se fisicamente e festejou, olho no olho, com Lewandowski que estava ao seu lado, a legitimidade do voto vencido de Lewandowski.

Ato seguinte, JB puxou o microfone e se dirigiu ao ministro Toffoli com a pergunta escapista: “vamos trabalhar?” E iniciou os trabalhos.

Para um entendedor mediano nada foi resolvido em termos de negociação direta. JB fez uma simples menção ao caso, mas tentou, desastrosamente, “justificar” sua atitude. Seria muito mais cortês e gentil se imbuído de personalidade grandiosa simplesmente reconhecesse o excesso na linguagem e pedisse desculpas. Ganharia mais “votos” populares. A soberba parece ter falado mais alto.

Será que o Supremo Tribunal Federal não está rachado, como não quer Celso Mello? Parece não haver dúvidas que novos estrilos virão. Nada foi verdadeiramente consertado.  Mas a força de Ricardo Lewandowski, não há dúvida, saiu muito mais nítida. Não apenas por ter sido vítima. Mas por manter sua educação e compostura. Já JB talvez reflita algumas vezes antes de se enervar e ofender. OG.

 

Matéria também publicada no site “Brasil 247”.

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Categorias:Direito e justiça

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