Cai o embuste Marina-Globo-Direita-Silva

alfredo sirkis

Ninguém menos que Alfredo Sirkis (PV-RJ), fundador da Rede critica, ou melhor, detona, a ex-senadora Marina Silva (íntegra do texto abaixo). Mostra que ela “comete erros de avaliação estratégica”. Já como gestora, seu processo decisório é “caótico”. Na condição de política “reage mal a críticas e opiniões fortes discordantes” e “não estabelece alianças estratégicas com seus pares”. Mas o traço mais marcante da ex-candidata certamente é seu autoritarismo, segundo observadores. Um colaborador próximo a ela, conforme o site 247, afirmou que Marina na presidência da República “talvez fosse um grande risco”.

Já o site Tijolaço (http://tijolaco.com.br/index.php/porque-o-conservadorismo-quer-tanto-a-rede-de-marina/) explicou porque o conservadorismo lutou tanto pela Rede, de Marina, e a direita tentou de todas as formas a flexibilização das regras impostas a qualquer um para criação de partido político. No caso de Marina, ela só conseguiu um único voto no Tribunal Superior Eleitoral. Seis votaram contra, entendendo que a falta de 50 mil assinaturas não tem nada que ver com “perseguição”, mas com competência administrativa em cumprir os requisitos legais para a criação de um novo partido. OBSERVATÓRIO GERAL.

Abaixo o lúcido e crítico texto de Alfredo Sirkis (PV-RJ).

Cartório, auto-complacência… e sincericídio

O Brasil da secular burocracia pombalina, do corporativismo estreito e da hipocrisia político cartorial falou pela voz da maioria esmagadora do tribunal.  A voz solitária de Gilmar Mendes botou o dedo na ferida na forma do juz esperneandi. O direito de, literalmente,  espernear.

Para mim não foi surpresa alguma, nunca foi uma questão de fé –Deus não joga nesta liga–  mas de lucidez e conhecimento baseado na experiência pregressa. Eu tinha certeza absoluta que se não tivéssemos uma a uma as assinaturas certificadas, carimbadas, validadas pela repartição cartórios de zonas eleitorais íamos levar bomba.

A ministra relatoria fez uma defesa quase sindicalista  da “lisura” de seus cartórios. Gilmar Mendes mostrou claramente o anacronismo deles na era digital. Prevaleceu a suposta  “dura lex sed lex” mas que pode também ser traduzido, no caso, pelo mote: “aos amigos, tudo, aos inimigos, a Lei”.  E o PT já tinha avisado que “abateria o avião de Marina na pista de decolagem”.

Mas não ter entendido que o jogo seria assim e ter se precavido a tempo e horas foi uma das muitas auto complacências resultantes de uma mística de auto ilusão.

Para ser direto em bom carioquês: “demos mole”.

Marina é uma extraordinária líder popular, profundamente dedicada a uma causa da qual compartilhamos e certamente a pessoa no país que melhor projeta o discurso da sustentabilidade, da ética e da justiça socioambiental. Possui, no entanto, limitações, como todos nós. As vezes falha com operadora política comete equívocos de avaliação estratégica e tática, cultiva um processo decisório ad hoc e caótico e acaba só conseguindo trabalhar direito com seus incondicionais. Reage mal a críticas e opiniões fortes discordantes e não estabelece alianças estratégicas com seus pares.  Tem certas características dos  lideres populistas embora deles se distinga por uma generosidade e uma pureza d’alma que em geral eles não têm.

Não tenho mais idade nem paciência para fazer parte de séquitos incondicionais e discordei bastante de diversos movimentos que foram operados desde 2010. A saída do PV foi precipitada por uma tragédia de erros de parte a parte. Agora, ironicamente, ficamos a mercê de algum outro partido, possivelmente ainda pior do que o PV.

Quanto à Rede, precisa ser vista de forma lúcida. Sua extrema diversidade ideológica faz dela um difícil partido para um dia governar. Funcionaria melhor como rede propriamente dita –o Brasil precisa de uma rede para a sustentabilidade, de fato–  mas, nesse particular,  querer ser partido atrapalha.

Ficarei com Marina como candidata presidencial porque ela é a nossa voz para milhões de brasileiros mas não esperem de mim a renúncia à lucidez  e uma adesão mística incondicional, acrítica.

Minha tendência ao  “sincericidio”  é compulsiva e patológica. Nesse sentido não sou um “bom politico”. Desculpem o mau jeito. Hoje tenho oito horas para enfrentar um leque de decisões, todas ruins em relação ao que fazer com uma trajetória limpa de 43 anos de vida política.  Mas vou fazê-lo sem angústia de coração leve e mente aberta.

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Categorias:Política

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