Lula x Bolsonaro: crença, torcida ou compreensão?

Sábado, 1º de outubro de 2022. 19 horas. Véspera do primeiro turno da eleição. De três formas o eleitor pode participar como sujeito pensante desta eleição polarizada.

Primeiramente, da forma primária, o eleitor envolvido numa crença de que seu candidato vencerá. Aqui não interessam a ciência política, os números, a estatística, as análises, nada. Vale um dogmatismo subjetivista, e de umbigo, que é a razão suficiente para que este eleitor creia severamente na vitória de seu candidato, e ponto final. Onde há crença, sabe-se, cessam fundamentos e as razões objetivas. Pelo menos as minimamente científicas ou demonstráveis. Sentenciará o crédulo autoritariamente: não me venham com estatísticas porque todas estão erradas. Esta é a sua segunda crença – figadal-, se os dados contrapuserem seus anseios.

Em segundo lugar, há uma forma ‘leve’ de participação, o caso do eleitor como um torcedor, porém educado. Com este eleitor torcedor, não há grandes comprometimentos ideológicos, apenas uma vontade de que seu candidato vença, simples assim. Ele assiste de camarote às diatribes e xingamentos entre os polarizados. Ele também aceita reversões e reviravoltas prévias, análises profissionais apontadas por observadores e dados estatísticos, ainda que isso não lhe interesse muito, ou até lhe entristeça em alguma coisa.

Por fim, tem-se o eleitor comprometido com o conhecimento, analisando dados, pesquisando cenários e, efetivamente, levando em consideração as estatísticas e os institutos profissionais que medem intenção de voto. Para este eleitor, não valem sensacionalismos, notícias fantasiosas, a praga orgásmica dos reenvios em Wzapp e filminhos de Utube. Para ele não é possível que todas as pesquisas mintam, que toda a imprensa minta, e todos os observadores institucionais mintam. Esta costuma ser uma teoria da conspiração que só agrada a seres lunáticos e presos a uma realidade privada, e nada objetiva ou racional.

Dizer que toda política não tem racionalidade; que todas as estatísticas podem errar; que todos os institutos de análise podem estar ‘vendidos’; que toda a imprensa pode estar ‘comprada’, é próprio de um tipo de pessoa que não consegue pensar complexamente.

No caso de Lula e Bolsonaro, simplesmente não é possível, metodologicamente não é possível, que todas essas entidades, analistas, cenaristas, politólogos, observadores, cientistas políticos e intelectuais que vêm analisando a eleição de 2022 estejam ‘errados’, ou ‘vendidos’ ou ‘comprados’, no sentido de que Lula sempre esteve em primeiro nas intenções de voto e certamente vencerá o primeiro turno, ou até se não em primeiro turno.

Contrapor a toda essa massa de análise institucionalizada uma pesquisa, por exemplo, feita amadoristicamente por encomenda partidária que diz que Bolsonaro está com 60% e Lula com 30% é jogar o próprio nome na lama em termos de compreensibilidade, metodologia e mesmo isenção inteligencial.

Na vida, se ganha e se perde. A crença na vitória de Bolsonaro, com o presente quadro estatístico massivo contrário, pode ser uma forma mimada de não se querer perder, ou de não se aceitar a perda. Também pode ser absoluta ignorância em assuntos metodológicos e sistêmicos, naquela forma hegeliana de que o conhecimento ou é científico ou é sistêmico.

Bolsonaro vencer neste domingo é das mais absurdas improbabilidades postas, é a maré contra tudo que se vê em termos de previsão séria em pesquisas eleitorais.

Para o eleitor compreensivo, um texto destes é, mais ou menos, um alerta e uma preocupação, mesmo que seja um bolsonarista de coração. Já para o torcedor, é uma ‘desgraceira’ ver seu ‘time’ perder, mas, como se diz popularmente, ‘fazer o quê?’ Porém, para o eleitor crédulo isto tudo aqui é uma infâmia, um horror e um despudoramento ideológico e moral, próprio de um marxo-comuno-trotko-socialismo ou coisa parecida que o valha e sirva de ofensa bem grossa à mãe de quem escreve.

O fato metodológico (de novo esse palavrão impertinente!) e talvez desesperador para bolsonaristas-novos, e todos o são, é que todas as pesquisas institucionais e sérias mostram a vitória de Lula neste domingo, além de já começarem a mostrá-la em primeiro turno.

Não se trata de um pobre argumento ao estilo do ‘já ganhou’, mas apenas de uma compreensão sobre as pesquisas, mais ou menos à base da frase de Abraham Lincoln, de que ninguém engana todos o tempo todo.

É esperar amanhã à noite para conferir.

Jean Menezes de Aguiar.



Categorias:Política

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