Jovens demais para morrer

jovens demais para morrer edifício

Rafael Gomes – Sei de uns e outros
Dos quais juro que a carne não tem gosto:
Seres tacanhos,

pequenos, não em renda, beleza ou tamanho.
Humanos de pano que até de si são ausentes.

Aqueles lentos, pacientes,
que usam de paciência até quando sonham.
Dormem cedo por trabalho, costume ou tédio…
Dormem tarde por insônia
ou porque os obriga alguma santa bula de remédio.

Orgulham-se do cuidado,
não gostam de casas, moram em prédios
e, quando ousados, pedem pizza
ou tomam gim.

Vivem regradamente assim!
Água morna… soro caseiro:
nem doce nem salgado.
Pessoas de caldo fraco

carne de soja:
não tem gosto e não engorda.
Gente poker-sem-aposta…

Quando enchem do marasmo
Tratam de ter algum orgasmo
Ou fazem algum baixo desmantelo:
A maior contravenção, pasmem,
É dançar nu frente ao espelho.

Pessoas.doc, chatas e sem brilho:
Não aturam rock, valsas ou pandeiros,
São maridos e esposas: casados ou solteiros.
Esposas e maridos de um si próprio sem recheio.

Rafael Gomes

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Categorias:Poética

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