19.julho.64, Roma

Incendio de Roma

Há exatos  1949 anos, na capital do mundo, ocorreu um evento que definiu cabalmente os destinos da primeira dinastia imperial.

Nas primeiras horas do dia 19 de julho de 64, Roma, “caput mundi”, ardeu. O incêndio durou seis dias seguidos, atingindo 10, dos 14 distritos da cidade, destruindo completamente 3 deles. Nem o templo de Vesta foi poupado!

Os cronistas posteriores, cerca de 50 anos depois destes acontecimentos, foram unânimes em declarar que o imperador Nero foi o mandante da catástrofe. Usaram, como sempre se faz até os dias de hoje, de subterfúgios hermenêuticos das fontes históricas disponíveis.

Afinal, um homem que fora capaz de matar a própria mãe (ah, dr Freud!), a primeira esposa e o irmão adotivo e herdeiro presumido ao Império, chutou a barriga da esposa grávida, provocando a morte de mãe e filho, casou-se duas vezes com homens, uma deles de noivo e outro de noiva, era adepto de religiões orientais que tanto assustavam os romanos, apresentava-se pelado publicamente, para provar que suas sardas o faziam descendente dos leopardos, já estava, há muito, provocando arrepios numa sociedade predominantemente estoica.

1949 anos depois, as diatribes de Nero César não chocariam mais ninguém.

Hoje, é muito difícil acreditar que Nero, o último dos júlio-claudianos, tenha sido o responsável pelo incêndio. Que ele tenha se aproveitado da catástrofe para promover sua divindade, reconstruir as partes perdidas com olhos mais para a estética do que para a utilidade e praticidade, é um fato. Também, o incêndio propiciou que ele construísse sua obra mais faraônica: a Casa Dourada.

Menos de 3 anos depois do incêndio, com a popularidade cada vez mais baixa entre a classe senatorial, Nero é deposto e declarado inimigo público. Suicida-se sem deixar herdeiros. O general Galba é declarado imperador.

Mas, em 19 de julho de 64, Nero, ao chegar à cidade e vê-la em chamas, cantou. Dedilhou a lira e entoou versos de “A Queda de Troia”. Iria repetir a apresentação, anos depois, em Nápoles, sem imaginar que o velho Galba já estava marchando para Roma, com as legiões espanholas.

Só uma digressão. Feliz 19 de julho!

Rodrigo TardeliRodrigo Martiniano Tardeli.

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