Netos da ditadura, “a culpa é da imprensa” e Brasil

netos da ditadura

(foto-OG). Nada como um dia após o outro. Os governos brasileiros nunca souberam muito bem o que é o povo nas ruas. Nunca foram confrontados por manifestações, exigências populares, cobranças democráticas manifestadas nas avenidas. Viveu-se a ditadura e a pós-ditadura com um povo bastante pacificado pela opressão e depois pelo resíduo cultural dela. Agora que, finalmente, os involuntariamente netos da ditadura  resolvem tomar as ruas e começam a reagir de mãos dadas com toda sociedade, tudo junto e misturado, exigindo um padrão mínimo de probidade administrativa, o governo “estranha”. E chia.

As desastrosas falas de Gilberto Carvalho, ministro-chefe da secretaria-geral da presidência da República, que perdeu excelente oportunidade de ficar com a boca fechada, refletem bem o desconforto. Providencial desconforto. Com todas as letras, afirmou o ministro que “a classe política paga o preço pelos protesto”. Ele gostaria que “quem” pagasse? É essa classe política brasileira rica, com meses de descanso e verba para tudo, configurando o político mais caro do planeta que tem que “pagar”. Ou melhor, pagar efetivamente, dinheiro, sabe-se que não será o caso. Mas ser minimamente responsabilidade e instada a se corrigir, a adquirir um mínimo de decência. É o que a sociedade quer.

Mas não parou por aí. Afirmou o ministro que “a imprensa é responsável pela descrença da população com a política”. Agora é piada. A política brasileira, há décadas se destroi diariamente com imagens que envergonham a sociedade como um todo. Não se pode alegar o maniqueísmo de políticos versus sociedade. Os políticos e as “autoridades” devem satisfação à sociedade, e a imprensa livre é o mero canal dessa exposição.

A sociedade está feliz com a força dos netos da ditadura, trazendo o povo para rua. E os governos que aguentem. Aguentem também a imprensa livre, denunciando as mazelas, as casas de prazer sexual das autoridades, os dinheiros nas cuecas e sutiãs e as nomeações de filhos e protegidos para cargos públicos ricos e vitalícios.

Para quem achou que os movimentos das ruas tinham “parado”, deu com os burros n’água. Parece que vieram para ficar. Não “perdoaram” nem a visita do papa. E, em grande medida, acertaram, afora residual baderna. A dor de cabeça que antes era só da sociedade, parece que, a partir de agora, será dividida com as “autoridades”. Cada dia mais este Brasil do povo está ficando mais bonito. OG.

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