CRMs vão conseguir se desmoralizar com o Mais Médicos

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Alguns Conselhos Regionais de Medicina e sindicatos de médicos do país vêm lutando, ao que parece, para se desmoralizar. No festival de implicância e conservadorismo, cinicamente disfarçado de “cuidado” com a população, para que médicos estrangeiros não tratem dos humildes, já se viu de tudo.  De vaia de patricinha médica a renúncia de presidente turrão de CRM. Até pat-jornalista entrou na onda do linchamento social comparando médicas cubanas a empregadas domésticas. O horror reacionário espuma.

A última notícia, sabida, em 2.out.2013, é da Advocacia-Geral da União (AGU) conseguindo na Justiça demonstrar que não houve qualquer ilegalidade na conduta de dois médicos de Pernambuco que funcionam como tutores do Programa Mais Médicos.

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), em discutidíssimo desvio de função, requereu abertura de processo administrativo ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) que, também em escancarado desvio de função agiu. Foi então “construída” uma falta ética aos médicos tutores. Mas a 3ª Vara Federal de Pernambuco não caiu na história. Instruída com provas pela AGU, ceifou a ideia de falha ética dos médicos Rodrigo Cariri e Paulo Roberto Santana, que precisaram de mandado de segurança contra o próprio órgão de classe, o CRM.

Médicos brasileiros, informalmente ouvidos, têm contestado o Programa Mais Médicos com um argumento no mínimo absurdo. Dizem que se eles aceitassem trabalhar nos rincões e confins do Brasil com “pouca infraestrutura” e se morresse um paciente atendido nestas situações, eles seriam “responsabilizados”. Haveria algum sentido nisso, se não se vivesse uma “guerra” pela ausência de médicos nos sertões, caatingas e zonas paupérrimas do Brasil.

Porém, o certo é que, nesta mesma guerra de ausência de profissionais, “qualquer” atendimento feito por um médico é melhor que nenhum. Por esta lógica perversa dos críticos, então, que morram várias pessoas pela ausência completa de médicos, já que não se pode enfrentar o risco de “uma” morte em mãos médicas. Ou o “medo” será de um processo judicial mesmo pela tal “possível” morte? Ou o medo é a revelação da incompetência? Várias questões se acumulam aí.

O Brasil jamais viveu uma perfeição clínica, médica, hospitalar e de atendimento aos desfavorecidos. Alegar ausência de “condições ideais” é, para falar pouco, farisaísmo. Ou canalhice mesmo. Ou, se se quiser, ideologia contrária ao Programa Mais Médicos, num descaramento político partidário em que se diz e alega tudo num pseudofundamento “técnico” para não se dizer, assumidamente, que o rechaço é porque o programa nasceu das entranhas do PT. E o povo? O povo que continue a se danar.

Medicina não obedece a estes argumentos. E ainda bem que o Judiciário – que está longe de pertencer ao PT-, tem cuidado para impedir falsas “razões” e “fundamentos”. O Programa Mais Médicos é um alento para desgraçados e necessitados, excluídos há décadas por um Brasil que continua a insistir em comparar negros e humildes com empregadas domésticas. OBSERVATÓRIO GERAL.

 

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Categorias:Política

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