“Veja”: falso jornalismo?

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Sobre a Veja: “Como todo campo de atividade humana, o jornalismo tem suas regras. E quando essas regras são ignoradas ou quebradas não há mais jornalismo, há ‘outra coisa'”. Dioclécio Luz.

O jornalista e radialista, mestre em comunicação pela UnB não para aí.

“Estudiosos da teoria do jornalismo (Traquina, Wolton, Gonzaga Motta, Marcondes Filho, entre outros) e aqueles que praticam a profissão reconhecem que o jornalismo tem alguns pilares. Entre eles, os mais importantes são:

a adoção de princípios éticos,
apuração dos fatos,
uso de fontes credenciadas,
busca do máximo de isenção,
busca da verdade,
manifestação dos citados na matéria,
respeito à privacidade e intimidade das pessoas.

O professor Nelson Traquina diz que ser jornalista implica a partilha de um ethos que tem sido afirmado há mais de 150 anos. Esse ethos do jornalismo corresponde a uma “constelação de valores”, como liberdade, credibilidade, associação com a verdade, objetividade e, antes de tudo, a ética.”

O texto de Dioclécio é, principiologicamente, irretorquível. Mesmo suas balizas tendo sido fincadas (ou utilizadas?) para “contestar” o jornalismo da revista Veja, acusando-a de “falso jornalismo”.

Há uma impressão, nítida, de que o jornalismo dos jornalões, revistonas e Tvs passou a lidar com e 5 conceitos: medo, pânico, caos, escândalo e terror. A sociedade demanda esta circularidade temática da tormenta. A imprensa nutre.

Por outro lado, sabe-se que o jornalismo “purista” fechou as portas há algum tempo. O item “isenção”, por exemplo, sempre admitiu interpretações valorativas e personalistas não de forma defeituosa. Editoriais, artigos, matérias assinadas e entrevistas podem perfeitamente veicular tonalidades intencionalizadas do veículo de informação, da editoria, da política da empresa.

Não há aqui qualquer defesa à Veja, ela não precisa. Uma revista boa-má. Mas a um conceito de jornalismo que possa não ser tão “fechado”. Ou classicista? Dioclécio continua preciso em sua “cruzada” pelo jornalismo “maior”. Aprendemos com ele. Mas todos sabem que “coisas mudaram”, a própria sociedade compra um jornalismo-sertanejo, dócil-pródigo em termos de escândalos e sensacionalismos. Árido em termos de análises e críticas epistêmicas. Novos tempos nos últimos 50 anos, tempos de Veja, de Rede Globo, mas agora também tempos de Blogs, de Internet, aí a nossa “vingança”, aí o novo. Talvez o fio da mesma navalha seja reto até a metade, mas serrilhado depois. Mais difícil de cortar com ela. Apenas isso. OG.

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Categorias:Cultura

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