Assédio imoral de partidos a “autoridades”

granaAs chamadas “autoridades” públicas, estas, deveriam ter mais compostura e não aceitar o envolvimento de seus nomes – intrinsecamente atrelados a cargos públicos – a políticos desempregados que se lançam a tentar fundar partidos políticos. Aventureiros e vaidosos da política que cismam em criar um partido próprio buscam nomes de vulto. A preferência para a desfaçatez do alpinismo burocrático é de nomes com influência oficial, no Estado e na ativa para beneficiar suas legendas nascituras. A influência almejada é na forma jurídica, institucional e, claro, malandra e safada.

 

Dizer que as tais “autoridades” não veem ou não percebem isso é um argumento cínico. Dizer que “ué, não tem nada de mais” é a potencialização da safadeza de fundamento.

 

O que está em jogo é um mínimo de moral que deveria existir atrelado a um cargo público. Nem se fale na indecência que é a inexistência de quarentena para quem sai da atividade oficial. Muitos com “vencimentos” em torno de “seus” R$ 40, 50 mil, rindo da bobajada de teto constitucional, e começando a “advogar” ou dar consultorias na semana seguinte. Advogar não seria bem o termo: alugar o nome e a influência. Há dúvidas se muitos desses aí sabem advogar.

 

A crise de ética e de moral está em que certas situações estão anestesiadas no consciente coletivo, principalmente numa classe média que, conforme disparou esta semana Miguel Falabella “não tem dignidade”. Não se dá valor a situações que exigiram uma reflexão. Não se questiona e muito menos se critica. Quando alguém lanceta pelo discurso aparecem posicionamentos legalistas, invariavelmente autoritários, no sentido de dizer que “a lei permite”.

 

Há uma farra de cargos públicos com o modismo do “concurso-público-se-dê-bem-garanta-a-sua-boca”. Darcy Ribeiro dizia que o jovem faz concurso e se esquece do Brasil. Olha que triste realidade. Certos cargos no Estado deveriam ser bem blindados. Durante a ativa e depois da aposentadoria, ou compulsória ou eletiva. O sistema é absurdo e infame.

 

Denise Frossard, foi juíza 14 anos e se aposentou aos quarenta e poucos anos de idade. É isso mesmo que você leu. As razões? Precisam? Aposentou. Como colocou os bicheiros do Rio na cadeia, tarefa que até ali foi impossível a toda a polícia e ao Judiciário cariocas, dizem que o tribunal deu de presente à magistrada a aposentadoria. Menina, aos quarenta e poucos. Se a versão esta que contam não é exatamente assim, a aposentadoria é fato. Aí a meritíssima virou política. Nada contra Frossard, uma então valentona contra a máfia. Mas que o sistema é podre não se duvida.

 

Parece que o sentir vergonha e pudor está em baixa. A “autoridade” pública recebe em seu gabinete para fotos e publicidade (o nome é “publicidade”) figuras que tentam surfar na criação de um partido político. Querem mostrar ao mundo jurídico que têm influência, conchavo, poder. As autoridades, talvez, não devessem sequer receber. Primeiro por desvio de função. Como receber num gabinete oficial que tem uma finalidade administrativa própria, um pretenso político desempregado ou não que quer criar partido? Em direito se perguntará – qual é a natureza jurídica dessa “audiência”? De quebra acompanhada por fotógrafos. Aparecer no Facebook não é.

 

A sociedade precisa “ler” melhor esses fatos sociais quase que imperceptíveis. A grande valia da imprensa livre é ser o duto de interpretação e crítica. E se há uma gradação, a mais valia de uma imprensa mais informal, como por exemplo, a blogosfera é acirrar a crítica, onde só aí articulistas mais ácidos podem ter acesso e voz, ou digitação.

 

O Brasil precisa construir mais críticas densas, equilibradas e fundamentadas. Fazer bagunça nas manifestações de rua, apenas como diversão, xingamento ou radicalização, não constroi, não soma. Aí pode estar o déficit social do país. OG.

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Categorias:Política

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