Aécio foi traído por seus golden boys

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Dilma Rousseff tem militantes. Aécio Neves tem simpatizantes. A diferença é fundamental para se buscar entender o início de derretimento de Aécio e a melhora de Dilma.

O eleitor indeciso ‘de Dilma’ não sabe se conseguirá obter mais melhorias. O indeciso ‘de Aécio’ tem medo de perder regalias históricas.

Sem precisar lançar mão de maniqueísmos primários, é o próprio sistema neoliberal que desde a década de 1970, tendo se oferecido para identificar a sociedade contemporânea, começa a ruir seriamente.

Viveu-se a sociedade do dinheiro e do lucro descolado da razão – os estertores de um neoliberalismo imitado. O ganho não se atrelava nem a um mínimo social histórico nem a qualquer roupagem ligada à ética.

Com o paradigma Lula, o sistema social evolui e mostrou sua cara. ‘Rebelou-se’ contra o sistema econômico que deixou de ser seu agente dominador. O sociólogo francês Alain Touraine (Após a crise, p. 20) sentencia: ‘o sistema econômico não domina o conjunto da sociedade’.

Algumas diferenças precisam ser estudadas entre PT e PSDB.

Com Lula e Partido dos Trabalhadores foi gestada uma cultura de fidelização ideológica, não pelo sonho do capital, mas buscando mínimas conquistas sociais ligadas à DPH – dignidade da pessoa humana. Era o alvorecer da Constituição Cidadã. Há que se reparar que essa cultura era, historicamente, solapada e mesmo proibida há décadas. Primeiro, dolosamente pela ditadura militar. Depois pelo sonho verde-dólar que o neoliberalismo iniciado naquele 70 importava para um uso requentado.

Já com o ontogeneticamente maleável PSDB, que parecia ser o novo MDB, conheceu-se a descultura ideológica. A rigor uma acultura política. Sem militância, sem ideólogos, sem grandes teóricos que conseguissem atrelar uma face identitária ao partido e seus utentes, a legenda chegou a obter seu grande prócere, FHC, um intelectual reconhecido. Mas lhes faltavam as ruas.

Agora, quando Aécio mais precisa de um nível mínimo de fidelização eleitoral não consegue contar com isso. Seu rebanho, em grande medida, é ideologicamente prostituto e vira casaca facinho. Basta perceber que com Dilma seus ganhos estarão minimamente assegurados, havendo que se registrar que não seria Dilma em si que garantiria nada para as elites, mas um sistema constitucional e econômico bastante organizado juridicamente que não pode ser chicoteado da noite para o dia.

Quanto à corrupção, está se vendo muito bem, ninguém pode atirar a primeira pedra. O sistema político e de gestão é historicamente ladro. A marola da Petrobras que tanto serviu de munição para indignação de fariseus honestíssimos quando se trata dum antipetismo rácico – leia-se povo brasileiro pobre – não convenceu e não garantiu a alta de Aécio.

É claro que tudo pode mudar. Mas fica claro também que os fatores que fizeram Aécio subir – estes que estão aí- não sustentaram sua alta. A menos que algo muito novo surja, parece que Dilma já levou esta. Mesmo com um debate hoje à noite – 24.10.14- certamente fratricida.

Aécio fez o seu papel, mas vai ter que compreender que sua maior perda eleitoral se verificou entre os seus. Na elite, nos golden boys com poder financeiro. É o preço político de um partido híbrido, dúctil e sem personalidade. OBSERVATÓRIO GERAL.

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Categorias:Política

1 resposta

  1. Não sou Pró-Aécio, nem sou adepto desta esquerda bolivariana, pró-cubana.
    A possível vitória desta esquerda bolivariana, será mais um passo a caminho da implosão, pelo continuado entrave de transformar um pobre Brasil rico, em um maravilhoso Brasil desenvolvido. Mas como é normal em regimes semelhantes, tipo Venezuela e alguns países da América latina, a corrupção e a violência tenderão a crescer, ao ponto de haver muitos a roubarem para poucos a serem roubados.
    Infelizmente, quando abrimos um jornal brasileiro, ou algo que nos possa dar uma informação sobre o nosso país, só nos é apresentada uma imagem de um Brasil decadente e sem esperança, com imensa corrupção, muito violento, abandonado pela classe política, com uma inflação a tomar conta do dia a dia, sem uma infraestrutura logística necessária e suficiente, com pouco saneamento básico, com infraestruturas precárias para saúde, e um sistema educativo longe das necessidades básicas primordiais. E o pior é que, quando olhamos à nossa volta, constatamos que tudo isto é uma triste realidade, mas, apesar de tudo, eu e outros mais, sempre acreditaremos em um sistema com justiça social e economicamente liberal, continuando a alimentar a esperança de que algum dia poderemos viver em um Brasil com Ordem e Progresso, mas não com este atual e decadente sistema político bolivariano.

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