Globo cometerá crime hoje no Jornal Nacional? A falácia do jornalismo isento

 

 

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O filósofo zomba: na próxima encarnação quero voltar imbecil para viver feliz acreditando em tudo. Já George Orwell ensinava que o pessimista é um otimista bem informado.

Há quem ‘acredite’ em tudo que vê na TV e nos jornais. Não desconfia, não critica, não reflete. Vê e crê. Simples assim. Gaston Bachelard em sua tese de doutorado (Ensaio sobre o conhecimento aproximado, 1928, p. 102), advertia: ‘Não se acredita porque é simples, é simples porque se acredita’. Aí está a figura do nosso crédulo social.

A Veja antecipou em dois dias sua edição para ‘presentear’ a sociedade com um ‘furo’ jornalístico que, jura, só apareceu a 48 horas da eleição e a algumas outras do último debate na Globo, em 24.out.14. Por ‘coincidência’ este furo diz respeito à incineração de Dilma Rousseff, candidatura contrária a seu (Veja) escolhido Aécio Neves.

Daí, o nosso crédulo perguntará: mas a imprensa não é ‘isenta’? Não tem o dever de apresentar ‘fatos’? Deveria ser assim. Mas a História mundial do jornalismo mostra que nunca foi.

Imprensa independente é uma coisa. Imprensa isenta é outra completamente diferente.

A imprensa independente é uma conquista da humanidade que vem desde o fim do século 18. As Declarações americana e francesa dos direitos afirmaram, como garantia fundamental, a liberdade de imprensa. Isto está em Norberto Bobbio (Dicionário de Política, verbete Quarto Poder) que ensina que a imprensa é o ‘quarto poder’. Um que fiscaliza os três Poderes do Estado e precisa ser livre para atuar e apontar desvios e falcatruas. Perfeito, lógico e necessário, se não houvesse o belíssimo artigo ‘O quinto poder’, de Gilberto de Mello Kujawski no site Migalhas. Merece ser lido.

O competente jornalista Luiz Nassif aponta que a Rede Globo cometerá um crime hoje, 25.out.14, às 20 horas. Como? Apenas dando uma ultra-atenção à matéria da revista Veja. Só isso. Afirma Nassif: ‘O Jornal Nacional dará entre 5 a 10 minutos de reportagem sobre uma informação falsa veiculada pela revista Veja’. O ‘crime’ pode não estar no conteúdo da matéria global, mas no ‘tempo’ dedicado.

Se a Globo não acrescentar nenhuma palavra à matéria da Veja, apenas repercutir a notícia falsa publicada hipertrofiando tempo jornalístico, sem que seja uma nota de metajornalismo – comentar o problema judicial que a Veja passou a ter com a matéria divulgada – haverá violação jornalística, da Globo.

Nassif chega a sugerir uma manobra jurídica um tanto quanto ‘milimétrica’, ainda que não de todo impossível. Que advogados do PT obtivessem previamente uma liminar, não para cercear imprensa – isto seria um estupro social, nem Veja nem Globo nem qualquer veículo podem ser censurados -, mas apenas para colocar no ar um ‘direito de resposta’ nos minutos imediatamente posteriores à matéria publicada.

Difícil essa agilidade na justiça eleitoral. Difícil essa agilidade com oficiais de justiça. Difícil essa agilidade com a grade de programação da emissora. Difícil essa agilidade se houvesse resistência da Globo para, então, que fosse preso em flagrante um ou outro diretor da emissora por desobediência que jamais estaria na sede da empresa etc. São tantas as ‘desculpas’ possíveis que faz com que o simples esperar do tempo neste dia de hoje se torne uma gincana minuto a minuto.

As emissoras de TV fizeram ultralucrativos debates. Ponha no Google a expressão ‘debate eleitoral’ e veja a foto de todos eles. Que cor possuem, isso mesmo.  ‘Azul subliminar’. É uma nova cor. Em todos os debates, a cor do PSDB. Mesmo assim parece que não houve uma única cabeça no PT um pouquinho mais inteligente que percebesse isso e impugnasse, exigindo uma cor ‘neutra’, por exemplo, verde, branca etc. Problema do PT; azar do PT.

Liminar do TSE, na noite de 24.out.14, proibiu a revista Veja de fazer ‘publicidade eleitoral’ em sua capa. O ministro Admar Gonzaga, decidiu que a revista ‘poderá transformar a veiculação em verdadeiro panfletário de campanha’, bem como afirmou que “a tentativa de interferência no curso das campanhas eleitorais, pela Representada poderá, inclusive, configurar a utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social, em benefício de candidato ou de partido político, apurável por meio de Ação de Investigação Judicial Eleitoral”.

O exemplo da Veja não é de um bom jornalismo e quem perde é toda a imprensa. Ainda dá tempo, diria o nosso crédulo de plantão, de a TV Globo não capitular e mudar sua grade de programação evitando repercutir matéria que já foi objeto de liminar pelo TSE. Mas o mais provável é que a a velha Globo ‘volte’ aos velhos hábitos. OBSERVATÓRIO GERAL.

 

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Categorias:Cidadania online

1 resposta

  1. Há muitos que afirmam de que a democracia no Brasil ainda está criança. Eu digo, a democracia no Brasil ainda não abriu os olhos, porque se realmente existisse democracia, 40% dos políticos com processos judiciais estariam impedidos de executar seus mandatos.

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