‘Brincando’ de impeachment

netos da ditadura

Um país que insiste em não ter história é funcionalmente brutal, socialmente tosco. Mentes intelectualmente lascivas, e dóceis, acham que a corrupção foi inventada há dez anos. Outros, perversos e economicamente tarados que se abeberam nas intermináveis vantagens públicas ou empresariais vitaliciamente sonegadas quietam-se, bastam estar mamando em tetas jorradas. Mas declaram guerras e impeachments portáteis se a eles o jorro do dinheiro ilegal é fechado.

Muitos aí não são os ‘imbecis’ de Alexandre Dumas que preferia os canalhas porque estes pelo menos descansam de vez em quando. São lépidos e vorazes em encher a burra de dinheiro. Outros não tão cínicos assim, enchem apenas as ruas com gritos de ordem, um revolucionarismo de sete meses, meio próprio do mercado.

Está sendo gestado um impeachment-avenida-paulista para o próximo mês. Fotógrafos adoram esses encontros. Patricinhas e comedores de última hora também. Velhotas revoltadas, marmanjões lutando por um ou outro almirante aposentado como presidente da República marcam ponto. E, claro, malandros que conseguiram seus minutos de fama em blogs e movimentos sociais de internet, enquanto não tentam um carguinho eletivo em alguma vereança barata.

O jogo é válido. Chama-se democracia. Que façam um desses ‘meetings’ por mês. Este do impeachment-avenida-paulista talvez fique conhecido como o ‘footing’ do selfie ou de seu pau, de selfie. Mas que fique claro, mesmo sob aroma francês, essas passeatas são legítimas.

Todo e qualquer governo precisa sentir pressão popular, cobrança social, exigência de honestidade e total cuidado com o uso do dinheiro público. Não deveria aparecer um escândalo por semana. Agora é Agripino Maia, presidente do Dem, enrolado em negociatas à ordem de 1 milhão de reais.

O ‘impeachment’ que está programado deverá abarrotar a Avenida Paulista de gente. Talvez abarrote outras avenidas pelo Brasil. Há muita munição social aeciana considerando-se ‘perdedora’, o que talvez seja um grande erro. Quem votou legitimamente em Aécio talvez devesse se preocupar em ajudar o país, não em destruir um governo democraticamente eleito.

Fosse quem fosse o vencedor, Aécio ou Dilma, o impeachment é sempre uma fatura social caríssima, com sequelas internacionais incomensuráveis. Um desastre histórico que efetivamente mancha todo o cenário de uma nação, por décadas.

O Brasil precisa perder essa sanha por impedimentos de presidentes da república. Será assim em todos os mandatos? Nos últimos vem sendo, fala-se nisso sucessivamente, o que é um erro político e social grave. Se a cabeça de políticos da oposição for essa, esses sujeitos têm que ser postos para fora, não aguentam o jogo democrático. Mas o Partido dos Trabalhadores e a Cut também precisam conter seus militantes fantasiados de moranguinho na rua a chutar e socar adversários. Isso é inadmissível e péssimo para a democracia.

O cenário não é bom. Mas jamais seria para um impedimento de Dilma. A roubalheira na Petrobras está sendo apurada devidamente. Até juiz virou personalidade pop na Rede Globo. Figurões estão presos. Confundir as instâncias é um erro estrondoso. Ou cínico demais. OBSERVATÓRIO GERAL.

 

 

 

 

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Categorias:Política

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