A anti-Administração e os 8 princípios da excelência de desempenho e das pessoas realizadoras

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A história da Administração é longa como constatou Antony Jay, quando identificou a correlação entre Maquiavel e a gerência. Mas Stephen Kanitz vai mais longe e identifica em Hemiunu, o primeiro administrador do planeta Terra. Hemiunu viveu por volta de 2.550 a.C. e foi o administrador na construção da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito. Uma obra que demorou 20 anos e que foi, por muitos séculos, a maior construção do planeta. De acordo com Kanitz, ele administrou 20 mil funcionários, os quais eram trabalhadores pagos, que precisavam ser motivados e não chicoteados como escravos. No caso, Hemiunu foi um administrador de projeto, com início, meio e fim, e os princípios que utilizou são semelhantes aos que foram utilizados para se enviar um homem à Lua.

Embora a Administração exista desde os primórdios da humanidade, os conceitos e princípios teóricos que conhecemos hoje, só foram desenvolvidos milhares de anos depois, por pessoas como Taylor, Fayol, Ford, Alfred Sloan, Peter Drucker. A administração diz respeito a qualquer esforço humano que visa agrupar em uma organização pessoas de conhecimento e especialização distintos.

Assim, o dever fundamental da administração foi e continua sendo o de tornar possível às pessoas o trabalho conjunto, dando a elas objetivos comuns, valores comuns, a estrutura certa e o treinamento e desenvolvido de que elas precisam para produzir resultados, levando em conta as mudanças que estão continuamente ocorrendo, seja relevante ou não. E estas mudanças estão ocorrendo com velocidade cada vez maior.

A comunicação, que é algo fundamental para a Administração, também existe desde os primórdios da humanidade, ou seja, as pessoas sempre se comunicaram mesmo que não conhecessem conceitos teóricos importantes. Como o de símbolo e significante de  Ferdinand de Saussure, o de mapa e território de Alfred Korzybski e a gramática transformacional de Noam Chomsky, que só foram desenvolvidos, sobretudo, a partir do século XX. Tal como a comunicação, a Administração sempre existiu, embora as teorias administrativas, ou seja, o conhecimento organizado e estruturado do que as pessoas faziam para terem resultados, só fossem desenvolvidos milhares de anos depois.

O fato é que a Grande Pirâmide de Gizé está lá. Logo, Hemiunu planejou, coordenou, executou, avaliou e controlou, com os métodos, conhecimentos e recursos existentes no seu tempo ou por ele desenvolvidos. Mas se fosse hoje, a Grande Pirâmide poderia ser construída em muito menos tempo do que os 20 anos que foram necessários naquela ocasião. Isto se houvesse Administração. Mas se houvesse Anti-Administração não passaria de mais uma obra inacabada ou com custos estratosféricos.

E qual a essência da Administração? De acordo com Peter Drucker, “o produto final do trabalho de um administrador são decisões e ações”. E não resta a menor dúvida de que Hemiunu tomou milhares de decisões, quer conhecesse ou não a teoria do processo decisório, soubesse ou não o que são as ações de contenção, correção, prevenção, proteção e análise de risco. Igualmente teve que seguir um processo, mesmo não conhecendo o gráfico de Gantt, PERT, Pareto ou Ishikawa.

 

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As decisões que um administrador toma têm a ver com objetivos, resultados, indicadores, pessoas, coordenação, cultura organizacional, processos, estratégias, estruturas, recursos, desenvolvimento de pessoas, meio ambiente, entradas, processamentos, sistemas, subsistemas, produtos e serviços. E isto vale para qualquer Administração, seja na esfera privada ou pública. Os princípios são os mesmos, mas o que pode mudar são os indicadores e critérios. Assim, na Administração Pública não deve haver o indicador lucro, mas deve haver indicadores de qualidade de serviços.

Para exemplificar: um hospital público em que as pessoas são mal atendidas, maltratadas e que morrem pelos corredores, os indicadores de qualidade estão sendo desconsiderados e violados, e é isto que constitui a Anti-Administração. Mas isto não acontece em todo serviço público, pois também existem modelos de excelência. Assim, vejamos o que ocorre em Paulista, um pequeno município de 11 mil habitantes no sertão da Paraíba. O que chama a atenção em Paulista é o elevado desempenho de suas crianças e adolescentes nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). São muitas menções honrosas, medalhas de bronze, prata e ouro. E por que tudo isto? Pela liderança da professora Jonilda Alves Ferreira. O fato é que o sucesso na Administração, seja ela privada ou pública, começa pela qualidade e competência da liderança.

A diferença entre Administração e Anti-Administração

Peter Drucker colocou duas palavras chaves naquilo que constitui a essência da Administração que são: decisão e ação. Mas convém acrescentar mais duas que são resultado e feedback. Portanto temos decisão, ação, resultado e feedback.

Tudo começa pela decisão. Assim, quer se queira ou não, estamos sempre decidindo, pois não decidir já é uma decisão. Toda decisão é uma escolha entre alternativas e tudo o que se faz, quer se tenha consciência ou não, é uma alternativa. E toda escolha, é baseada em critérios que podem ser explícitos ou implícitos. Em 1980, quando Reg Jones, o CEO da GE, estava para se aposentar, foi feito um rigoroso processo para a escolha do seu substituto, que acabou redundando no nome de Jack Welch em abril do ano seguinte. Welch, então com 45 anos, foi o mais jovem CEO da história da GE, e teve que tomar inúmeras decisões, entre elas, estava a do preenchimento de cargos para funções importantes. No início eram baseadas em currículos, mestrado, doutorado, MBA. Entretanto, Welch observou que os melhores currículos, muitas vezes, não geravam os desempenhos e resultados esperados. Portanto o critério não estava correto. E o que faz um administrador quando erra? Aprende e corrige. O que deve ser entendido é que é impossível não errar, isto porque, o mundo em que vivemos é probabilístico e como muito bem enfatiza o Prêmio Nobel Ilya Prigogine “a era da certeza acabou”. E neste sentido, é como dizia um político que também foi um excelente administrador: “só tem certeza de alguma coisa quem estiver muito mal informado”.

Portanto em Administração, o que conta não é o que a pessoa sabe, ou o seu currículo, ou se tirou 10 na prova, mas a ação, o que a pessoa faz, e isto é semelhante ao conceito de know how de Ram Charan. Mas talvez, considerando-se o conceito de inteligências múltiplas de Howard Gardner, o sucesso em administrar pode demandar uma combinação de vários tipos de inteligência. Mas de qualquer forma, foi a ação que fez de Hemiunu o primeiro grande administrador da história. E toda a ação produz um resultado ou um feedback que pode ser positivo ou negativo, e se o feedback for negativo, o administrador identifica, assume, corrige, aprende. E assim se chega a um outro ponto fundamental: “o que importa não é o que se faz, mas a resposta, ou feedback, que se obtém pelo que se faz”. E Jack Welch cometeu erros, como não poderia deixar de ser, mas admitiu, aprendeu e corrigiu. E como disse Thomas Edson: “O meu sucesso foi resultado do meu fracasso”. O fato é que se chega ao sucesso por ensaio, erro e acerto.

A Anti-Administração tem como causa principal a incompetência para decidir, agir e resolver problemas, sobretudo no nível estratégico, e também levando em conta que o ser humano é um ser biopsicossocial. Quem tem competência consegue unir qualidade com velocidade. Mas quando à incompetência se junta à arrogância, temos uma combinação que é profundamente prejudicial. E a arrogância, mesmo para pessoas competentes, pode redundar em erros graves. E Welch cometeu um erro bastante grande quando adquiriu 80% de participação da corretora Kidder Peabody em 1986. Este erro foi decorrente de um escândalo envolvendo informações privilegiadas e de uma baixa das ações em Wall Street. Mas também do desconhecimento da cultura organizacional que privilegiava as gratificações, com o pensamento voltado para o curto prazo, pouco importando a situação da empresa. E Welch aprendeu que “o limite entre a autoconfiança e a arrogância é uma linha muito tênue”. Welch, em função de seus sucessos anteriores, havia derrapado para o perigoso terreno da arrogância. Mas o pior é quando acontece o VOA: vaidade, orgulho e arrogância.

A incompetência pode ter duas razões principais. Uma é falta de tempo suficiente de treinamento, cuja importância é muito bem enfatizada por Malcolm Gladwell. A outra é quando os cargos, seja na administração privada ou pública, são preenchidos tendo em vista os critérios que não são os de eficácia e eficiência, mas sim de laços parentescos, afiliações partidárias e outros do mesmo gênero. Esta incompetência deu margem a um artigo do jornalista Nelson Motta, cujo subtítulo foi: “De que adianta que eles não roubem se dão mais prejuízos ao país do que os ladrões?”.

Assim, num país que todos conhecemos, recentemente foram nomeados novos ministros para o governo, entre eles, o dos esportes, que confessou não entender de esporte. Isto quer dizer que, em termos simbólicos, não sabe a diferença entre uma bola de basquete e uma de tênis. E nesta mesma mudança ministerial, quem era ministro dos esportes passou a ocupar o Ministério da Ciência e Tecnologia, como se pessoas fossem peças num tabuleiro de xadrez.

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Uma outra razão da Anti-Administração é decorrente da criação de cargos ou órgãos completamente sem sentido, como é o caso de boa parte dos 39 ministérios do governo federal. Isto sem falar na criação de municípios sem nenhuma necessidade e viabilidade.

Mas quando se junta a Anti-Administração com a corrupção, então os prejuízos podem ser devastadores para o país. E muito grande para você também, cabendo a pergunta: qual o percentual do imposto, direto e indireto, que você paga  é utilizado em coisas realmente úteis para o seu benefício e para o do povo brasileiro? O fato é que, de uma forma ou de outra, Tiradentes continua sendo enforcado todos os dias.

Os Oito Princípios da Excelência de Desempenho e das Pessoas Realizadoras

As pessoas realizadoras que buscam a excelência de desempenho se baseiam em oito princípios:

1. Sabem o que querem e para onde estão indo. Definem claramente os seus objetivos de acordo com os princípios da boa formulação de objetivos. A visão do futuro é um ponto fundamental conforme constatou Joel Barker em seus estudos com base em Fred Polak, Viktor Frankl e Benjamin Singer;

2. Transformam o que querem em pensamento dominante. E aqui surge um ponto muito importante que é o da administração do pensamento. Existem 3 categorias de pensamentos que são os úteis e necessários para se alcançar os objetivos. Os pensamentos abobrinha que não servem para nada e, pior do que isto, são os destrutivos, em relação a si mesmo e aos outros. Entre estes estão as palavras assassinas internalizadas e a voz do julgamento, que são as críticas destrutivas que são feitas usualmente. Quem se dá ao trabalho de se conscientizar dos seus diálogos internos constata que apenas por volta de 20% dos seus pensamentos são realmente úteis e agregam valor. E como já dizia o coach Jonh Witmore: “Eu só posso controlar aquilo de que tenho consciência. O que eu não tenho consciência me controla. A consciência me fortalece”. Outra coisa importante é que é através do pensamento dominante que se aciona a nossa mente inconsciente que é a mente mais poderosa;

3. Sabem navegar em mar turbulento. Vivemos um momento de grandes transformações, com ambiguidade, insegurança, incertezas e lei de Murphy. De acordo com Paul Stoltz, enfrentamos pelo menos 20 adversidades todos os dias, seja no lar, no trânsito, no trabalho. E mar tranquilo não faz bom marinheiro;

4. Têm fome de serem campeãs ou paixão por vencer. Quando o cientista russo Ivan Pavlov estava para morrer, lhe perguntaram o que ele recomendava para o sucesso. E Pavlov respondeu: “Paixão e gradatividade”;

5. Sabem e fazem o que tem que ser feito e alocam o tempo baseadas em prioridades. O fato é que se aquilo que você fizer todos os dias não levar na direção dos seus sonhos, eles nunca vão se realizar. Uma pesquisa realizada por Richard Wiseman sobre as promessas de fim de ano constatou que aproximadamente 78% das pessoas não cumprem as promessas de fim de ano;

6. Administram a si mesmas com comprometimento e responsabilidade. Assim, não culpam os outros e sabem que aquilo que os outros fazem é problema dos outros. O deles é fazer o que precisa ser feito para alcançarem os seus objetivos. E no sentido de administrar a si mesmo, o foco é uma questão muito relevante. Existem quatro tipos de foco que são o foco efetivo, o foco caótico, o foco contaminado e o foco bode cego. Um outro ponto relevante no sentido de administrar a si mesmo é o do sistema de crenças, haja visto os impactos positivos do efeito placebo e o impacto negativo do feitiço vodu que pode ser profundamente devastador para uma pessoa;

7. Desenvolvem as competências necessárias para serem realizadoras. É importante saber que existem 3 tipos de competências. A necessária para se fazer bem alguma coisa, a desenvolvida e a acessada. Assim, as perguntas que devemos fazer são: 1) O que eu quero e quais são as competências necessárias para fazer bem o que precisa ser feito; 2) Eu já desenvolvi as competências necessárias; 3) Como ter acesso a estas competências. Lembrar de Zinedine Zidane na Copa do Mundo de Futebol em 2006. Zidane era inegavelmente, supercopetente, mas entrou em estado mental e emocional fraco de recursos e acabou não utilizando esta competência por ter dado uma cabeçada num jogador italiano;

8. Procuram evoluir continuamente e agem como um sistema aberto. Quem não procurar evoluir continuamente vai entrar na área do conforto, vai se fechando e em pouco tempo deixa de ser realizador e excelente. Para evoluir continuamente é preciso estar ligado no mundo e agir como um sistem aberto. É preciso estar atento às modificações e evoluções que está acontecendo continuamente e se perguntar sempre: o que as pessoas que são excelentes fizeram ou estão fazendo agora e com isto descobrir que há um infinito de possiblidades. Isaac Newton, quando perguntado sobre o porquê havia feito tantas descobertas e percebido o que outros não tinham visto, respondeu: “Eu vi mais longe porque subi em ombros de gigantes”.

Mas de qualquer forma tenha presente o que dizia o cientista inglês Thomas Huxley: “O objetivo da vida não é o conhecimento, mas a ação”. Afinal de contas, uma pessoa mostra quem realmente é pelo que faz, e faz todos os dias, e pelos resultados que obtém. Assim, discursos ou promessas mirabolantes do que vai ou pretende fazer e processos escamoteantes para que não se percebam os resultados reais que estão sendo efetivamente obtidos geram perda da credibilidade. E perder a credibilidade, só para um líder ou governante que queira ser um anti-administrador. É por isto que Jack Welch sempre falou da importância da franqueza e da verdade para um administrador. Afinal, a matéria prima da decisão é informação.

 

 

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José Augusto Wanderley
Master Practitioner em Programação Neurolinguística, SBPL-SP; Extensão em Organizational Behavior and Development, Pace University, EUA; Mestrado em Engenharia Industrial, PUC-RJ, Participação em workshops conduzidos por Roger Fisher e William Ury da Harvard Law School e criadores do Projeto Harvard de Negociação e por Michael Hall da International Society of Neuro-Semantics; Formação em Coaching Integrado Executivo e Pessoal, ICI – Integrated Coaching Institute.
É palestrante e ministra treinamento nas áreas de Coaching, Negociação, Excelência de Desempenho e Liderança entre outros.
Autor do livro Negociação Total 22ª edição, (recomendado no site da Revista Exame entre os livros para quem quiser negociar melhor).
Possui mais de 20 anos de experiência e condução de mais de 1000 Seminários para mais de 20.000 participantes em empresas e instituições como: Ibmec, UNI RIO, FGV, Petrobras, Vale, Embratel, Aracruz, Usiminas, BNDES, Finep, Bayer, AmBev, Belgo Mineira, Mercedes-Benz, Rhodia, Sabesp, Fiat, Nestlé, Furnas, Shell, SEBRAE, Chesf, Correios, Peugeot, INAp,TV Globo e Globosat.  Palestrante nos I, II, III e VIII Congressos Latino-Americano de Programação Neurolinguística, III Simpósio Internacional de Coaching, 1º Congresso Nacional de Terceirização e Gestão de Serviços, 13º Congresso Nacional de Remuneração e 35º Congresso Nacional de Recursos Humanos – CONARH

 

Artigo gentilmente cedido pelo autor ao OG. 

 

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