A direita, os reacionários e até os sonhadores por golpe são legítimos

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O conceito de ‘democracia’ não é exclusivo nem é propriedade de uma ou outra ala ideológica, seja ela de esquerda, centro ou de direita.

Não vale nada, por exemplo, aquele general do golpe de Estado, Olympio Mourão Filho, em seu manifesto da madrugada de 31/3/1964 chamar a esquerda de ‘inimigos da ordem e da democracia’. Que ordem? Que democracia? Para o general, democracia era a direita e ponto final. Uma visão primária.

Direita, esquerda e seus respectivos desgovernados intelectuais em suas igrejinhas de radicalismos e ódios portáteis são legítimos numa democracia. Compra quem quiser, aceita quem se encantar, vota quem apostar. Ninguém pode patrulhar ninguém.

Talvez nos últimos 5 anos a direita esteja saindo do armário. Isto é bom para a democracia. A esquerda que fique esperta. É do jogo democrático vencer quem conseguir mais adeptos ideológicos.

Extremistas, radicais, fundamentalistas e sonhadores são legítimos em suas teorias. Se agirem dentro da legalidade, suas propostas, teorias e plataformas, sejam de direita ou de esquerda, têm que ser naturalmente aceitas.

A direita pode achar a esquerda patética. A esquerda pode achar a direita ridícula. Palavras e adjetivações, críticas e contestações, por mais ácidas que sejam, se não invadirem os crimes contra a honra – basicamente Injúria e Difamação- ou não atentarem contra o Estado, podem ser livremente postas no mercado ideológico e político sem problema.

Há que se estranhar, no entanto, qualquer um que queira tomar o poder não pelo voto, mas por um novo golpe ou estancamento de um mandato. O Brasil velho que ninguém quer de novo não tolera golpes. A democracia que se vive é totalmente estabilizada, não há qualquer dúvida disso. A Constituição da República de 1988 suporta perfeitamente governos nitidamente da direita e da esquerda, inclusive radicais se fosse o caso.

Derrubar um governo ou uma Constituição sempre federá a golpe. Coisa totalmente diferente de uma revolução. Mas, certamente no caso brasileiro, hipótese bastante utópica.

Manifestações de ruas ou nas assembleias políticas são totalmente legítimas. Impedi-las é que é inaceitável. A sociedade precisa ser efetivamente madura para presenciar eventualmente manifestações que não aprove e as rechaçar, com espírito democrático. Não ir, não aceitar e não ‘comprar’. Simples assim.

A mera existência de passeatas, greves, manifestações, grupos e líderes não ameaça em nada a democracia. Sejam radicais, comunistas, reacionários ou lunáticos. O que não pode ser ferida, repita-se, é a lei. E neste ponto há interpretações jurídicas já bastante sedimentadas sobre o que constitui e o que não constitui crime.

O Direito não trabalha com conceitos que, para muitos, é o bastante para inviabilizar uma manifestação. Conceitos como ‘provocação’, ‘insinuação’ e ‘enfrentamento’ não são tipos penais, ou seja, não são crimes. Ninguém pode ser coagido a parar uma manifestação porque está incomodando outra. Cada turma que toque o seu atabaque mais alto e ponto final.

Isto tudo seria óbvio se a sociedade não se impressionasse com o maniqueísmo da imprensa em torcer para um lado ou para o outro a informação. Grandes jornalões e famosas revistonas protegem suas bancadas ideológicas a ferro e fogo. É a sociedade que precisa aprender a interpretar as entrelinhas.

A esquerda brasileira vive maus dias, péssimos. Diversas ramificações insistem em se firmar em ‘carreira solo’. O PT se vê como uma esquerda especial, apenas porque detém o governo, e não está sabendo interpretar a história em sua dinâmica.

A maior vontade aqui é de criticar somente a esquerda, como fazia o famoso professor francês Jacques Ellul quando dizia que não criticava a direita porque com ela não tinha qualquer relação ou amizade. Mas no Brasil é diferente. A direita produz infinitas esdruxularias e gorilas pensantes com fundamentalistas religiosos e seus enrustidos curandeiros de gays. Acaba sendo difícil resistir a essa formidável horda pensante. Para criticá-la.

Mas ‘legítimo’, qualquer um é. OBSERVATÓRIO GERAL.

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Categorias:Política

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