Qual dirigente de futebol vai ao exterior agora?

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Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, brasileiro, voltou às pressas para o país Brasil, o único que lhe garante, interesseiramente, não extraditar seus nacionais. Seu país, seu quintal, assim se aprende no Direito Internacional. Esta é a essência da não extradição de nacionais.

Tudo bem. Todos acreditam que a ‘jura’ de Del Nero de que voltou correndo, às pressas, cancelando tudo e compromissos importantes no exterior foi só para ‘acompanhar as investigações de perto’. Não teria sido porque estava se borrando de medo de ser preso a qualquer hora.

Mas espera. ‘Acompanhar investigações de perto’ não seria … nos Estados Unidos? É, parece que no caso do preocupado dirigente da CBF, zeloso por sua Confederação e pelo esporte brasileiro, não. Depois, bem depois, o ministro da Justiça brasileiro determinou sisuda instauração de inquérito policial em pleno clima ameno carioca, com aquela mulherada linda à beira mar.

Quem achava que a boa e velha corrupção brasileira seria objeto apenas de apuração brazuca, com nomes indígenas, mitológicos e paleolíticos dado por algum delegado da Polícia Federal amante de histórias em quadrinhos, pode pôr as barbas de molho.

Em injunções internacionais (e qual corrupção não será mais assim no ‘atual’ planeta?) Estados que não prendem por apenas 8 meses um colarinho branco qualquer e depois soltam – como o Brasil-, mas que prendem a vida toda ou efetivamente lhe propiciam uma arrasadora falência financeira, a situação promete ficar interessante.

Jornais impressos às vésperas da falência, demitindo centenas de jornalistas por semestre, voltam a sorrir efusivamente. A quina jornalística do lucro, ‘medo, pânico, caos, escândalo e terror’ ganha novos ares. Agora no esporte.

Sim, o esporte. A área que a intelectualidade francesa zombou dos americanos que inventaram o esporte como antídoto da droga – onde há esportista não há drogado!, prometia a filosofia americana quase que como política de Estado-. E os franceses continuaram, e também não há filósofos e pensadores. Meu velho e inesquecível professor de Filosofia, Roland Corbisier, já dizia: compare Atenas a Esparta. Atenas produziu o conhecimento do mundo, Esparta, aí, produziu nada. Mas deixemos essa questão anestesiada, afinal, quem ousará criticar o esporte num país como o Brasil?

O esporte, esse campo sagrado, puro e honesto, em que a corrupção não entra, afinal ele ajuda a ‘moldar o caráter’. Não é assim? A esta hora deve haver cartolas sem dormir. Empresários de TV também. Será que aquela empresa internacional que me favoreceu está sendo investigada lá fora? Calculam novos apreensivos por aí. Empresas de aviação já devem ter sentido o prejuízo com gente cancelando voos internacionais de primeiríssima classe. Só por ‘garantia’, melhor não viajar agora, disfarçariam.

O mundo ter se globalizado, não apenas na possibilidade de se poder comprar pomada Victoria’s Secret na Rua 25 de Março, SP ou Alfândega, RJ, é algo bem maior. No caso da corrupção, que a sociedade vê, sabe, assiste, participa (!), se revolta e não consegue ter esperanças de dias melhores, a entrada do mundo estrangeiro nos canais de correção a ela pode ser um alento.

Esse José Maria Marin, ex-presidente da CBF preso, em investigações internacionais que dão conta de ‘corrupção generalizada’ no futebol mundial ‘por décadas’ é uma deliciosa ponta de iceberg, a se lamber.

O jogo é este. O cenário, muito mais que estritamente jurídico é cultural. A aura do esporte ‘olímpico’ e puro está caindo. Finalmente a corrupção no esporte começa a aparecer. Se não foi no Brasil – e parece que jamais seria-, melhor. Começou lá fora. E agora ‘autoridades’ brasileiras estão em xeque. Vão ter que trabalhar de verdade. OBSERVATÓRIO GERAL / Jean Menezes de Aguiar.

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