Delcídio do Amaral preso e a ‘dor’ suspeita de senadores e ‘autoridades’

delcidio do amaral

A crise ética está tão absurda, cavalar e estratosférica que um senador preso em flagrante, por crime inafiançável, com sua verdadeira voz em gravações tramando fugas ilegais, recompensas milionárias ilícitas e escandalosos atos de corrupção, numa sucessão de crimes audíveis com o dinheiro público não consegue causar a revolta óbvia que seria de se esperar.

Em vez disso, a reação de senadores e deputados foi se dizer doídos, doloridos, magoados, afetados, machucados, aviltados e outras bobajadas próprias de um pensamento piegas, sulamericano, exacerbadamente subjetivista e nada ético ou jurídico . Ou, se se quiser, coisas próprias de um suspeito pensamento cumplicial.

O que menos interessa numa análise qualquer jurídica é se esse senador Delcídio do Amaral era ou continuará sendo um ‘boa praça’, um ‘gente boa’, um ‘gente como a gente’, um ‘parceiro’, um ‘apaziguador’, um ‘ótimo político’ ou queira-se o apelido eufemístico ou caridoso que se quiser. A flagrância do ato ilegal em si, pelo que se ouviu, se sabe, e ninguém até agora conseguiu dizer, por exemplo, que a voz não era dele, é estapafúrdia. Se não fosse assim, não haveria uma prisão determinada pelo Supremo Tribunal Federal.

Outra interpretação bem duvidosa é se dizer que o senador ‘só foi preso’ porque vendeu nas negociatas o nome de ministros do Supremo Tribunal Federal, às pencas. Dizer isso é supor uma mancomunação entre o segredo da impunidade e os juízes da mais alta corte do país.

Curioso que ainda há vozes que tentam dizer que a ‘imagem’ de um desses lugares políticos quaisquer por aí, ‘poderá’ ficar ‘arranhada’. Como se acreditassem que o povo os respeita.

Mais sugestivo, nesse mar de cinismo e medo mal calculado de senadores quando votaram o voto secreto ou aberto, foi o discurso do velho de guerra Jader Barbalho. Votou em alto e bom som pelo voto secreto, secretíssimo, porque sabe e tem certeza, que daqui a 2 meses o povo já se esqueceu de tudo e ele, e qualquer um, se reelegem independente desses ‘detalhes’. Esta é a triste história social e eleitoral do país, de ausência completa de memória.

A política brasileira não chegou ao fundo do poço. Nunca esteve noutro lugar que não fosse este. E isto não é nenhum brado bobo à não-política, a intervenções militares ou qualquer asneira parecida.

Só se estranham essas declaradas ‘dores’ e ‘dolorimentos’ totalmente suspeitos e desconfiáveis de políticos que terão que ‘julgar’ o senador. Agora, todos ‘preocupadíssimos’ com Delcídio do Amaral. E ele continuando a nadar calmamente em seu altíssimo salário brasileiro de mais de 30 mil reais. Mesmo preso.

A arrogância da suposição da impunidade de muitos políticos continua vencendo a inteligência mais ínfima, mais rasteira. Essas ‘autoridades’ continuam achando que podem tudo. Realmente, podem muito, principalmente com o fácil e interminável dinheiro público. Mas tudo não podem.

Parece que um novo Brasil está sendo construído. Supremo, 10 a 0. OBSERVATÓRIO GERAL.

[Artigo republicado no BRASIL 247]

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