Átila Nunes e o nazismo religioso de Crivella

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A ignorância jactanciosa tem carrões e frequenta salões. Adorno e Horkheimer, na obra Dialética do esclarecimento, falam de como os judeus negaram as chances de Hitler chegar ao poder, quando a ascensão já era certa, com argumentos e ‘razões’.

 

É difícil saber qual é a ignorância mais danosa, se a tonta e destrambelhada ou a vaidosa e argumentada.

 

O Rio de Janeiro, outrora capital cultural do país, vem se degradando em curral eleitoral de religiosos de baixo clero, obscurantistas e analfabetos políticos.

 

O vídeo do combativo deputado Átila Nunes, circulando na internet, é um farol de luz contra o verdadeiro nazismo religioso do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, de perfilar guardas municipais e funcionários da prefeitura e obrigá-los a dizer se são espíritas, católicos ou evangélicos. Que vergonha, que horror!

 

A violência do ato em si já é danosa aos funcionários da prefeitura carioca. A escolha triádica de opções religiosas já é, por si, totalmente preconceituosa. Mas a inconstitucionalidade é patética, revelando um prefeito efetivamente despreparado, sem um mínimo de conhecimento ou percepção de o que deve ser a grandeza de atuação de um prefeito de uma espetacular cidade do Rio de Janeiro, mundialmente adorada pelas inúmeras possibilidades turísticas, carnavalescas, paisagísticas, climáticas etc.

 

Se uma grande parte da sociedade brasileira anda querendo ser radical, violenta e intolerante, como torcidas de futebol se matando e pessoas deitando ódio nas redes sociais, não será nada inusitado que padrões religiosos também se agudizem ainda mais; tornem-se ácidos e violentos. O problema é que estudiosos sabem a que esse radicalismo religioso leva, o que gera, as guerras e assassinatos na história do mundo.

 

Num Estado laico, um gestor público deveria ser simplesmente proibido de se manifestar em público, oficialmente, sobre sua crença ou fé religiosa, qual deus segue, ou não. Se é teísta, deísta ou panteísta etc. Jamais poderia pendurar na parede de um gabinete oficial, que não é a sala da sua casa, adereços, santos, cruzes, guizos e qualquer coisa que se relacione com sua crença, superstição etc.

 

Um gestor pratica decisões e administração, governança, gestão de bens, serviços, patrimônio e dinheiro que não lhe pertencem e a Constituição da República simplesmente proíbe que qualquer desses atos administrativos, todos regulados pelo Direito, ocorram sob crenças ou qualquer modalidade de fé religiosa.

 

Marcelo Crivella com essa prática estapafúrdia, de mandar enfileirar guardas municipais para que declarem religião ou tipo de crença, demonstra ser um prefeito autoritário, nazistoide mesmo, basta se imaginar a cena imposta aos funcionários. É um ato violentador de direitos daqueles funcionários. Deveria haver, mas se sabe que não há, um órgão que contivesse essa sanha credulística de governantes e mandatários da população no exercício do mandato.

 

Isto envergonha o Rio de Janeiro, já tão surrado com governador ladrão e quadrilhas oficiais.

 

Vozes como a de Átila Nunes e outros deveriam ganhar mais espaço na mídia. Observadores e a grande imprensa deveriam repercutir essas notícias até para que os próprios seguidores religiosos do prefeito saibam diferençar um momento legítimo de fé, na intimidade da vida privada de quem quiser, e a estultice que é um governante ou gestor público praticar uma asneira objetiva e atrasada dessa ordem.

 

 OBSERVATÓRIO GERAL / Jean Menezes de Aguiar

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