Eba! Festa! Judiciário tem ‘auxílio musculação’!

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O que será que dá na cabeça de alguns caciques do Poder Judiciário brasileiro, minhoca? A impressão é que acordam, um ou outro dia, com vontade de desmoralizar o Poder. Já não chega o que o povo fala, ofende, berra e xinga – sim, isso mesmo-, o Judiciário.  No Instagram e noutros lugares. É uma enxurrada de diatribes que não pode ser considerada, apenas, comodamente, como radicalismo de argumento.

 

Noticiou a imprensa que o Judiciário carioca inventou academia de ginástica nas dependências do Fórum para juízes, com o costumeiro padrão nababesco de quem ‘realiza’ coisas com o infinito dinheiro ‘público’. Aquele que costuma ser bastante desperdiçado por um Estado sabidamente irresponsável. Para não dizer o óbvio que ocupa a Lava Jato.

 

O que está em jogo não é qualquer bobajada ligada a um possível ‘merecimento’. Se funcionários ‘merecem’ isso ou aquilo, ou não. Aliás essa ‘ética’ perdoativa do ‘merecimento’, uma espécie de graça customizada e personalista é das coisas mais safadas que existem. Costuma traduzir, malandramente, embustes em justezas. Às mais das vezes, visa apenas apadrinhar falsamente pessoas, crianças ou segmentos. Fulano ‘merece’. Que história é essa de ‘merecimento’? Numa visão estremada para se compreender, quem merece alguma coisa é um Einstein, ou um necessitado que não tem o que comer. Fora daí há uma deontologia prostituída.

Por aqui vigoram os patéticos e provincianistas sulamericanos auxílios, benefícios e vantagens. O Estado brasileiro inventa esses sobressalários para os seus – ou serão mordomias e gastanças? Mas outros países por essas bandas do Cone Sul também são iguaizinhos. Tudo em avesso, por exemplo, à austeridade da presidente da Croácia na Copa do mundo em viajar com dinheiro do próprio bolso. Agora pariram mais esta: academia de ginástica, logo apelidada de auxílio musculação. Parece piada.

 

Dizem que o Conselho Nacional de Justiça vetou. Só o tempo dirá como isso não virá travestido de outra ‘necessidade’ ou ‘merecimento’.

 

A lógica que o povo brasileiro ‘insiste’ em não querer perceber é a seguinte: todo mundo paga ônibus, gasolina, academia, empregada, comida, táxis, livros, creche, aluguel etc., mas os ocupantes dos Poderes precisam ser ‘poupados’, afinal seu trabalho é muito ‘estressante’, isto porque só de férias formais existem os tais escandalosos 2 (dois!) meses por ano. Qual empregado, patrão, empresário rico ou pessoa humana no território nacional, ou no mundo (!), tem 2 meses de férias por ano? Responde aí se for capaz…

É como se os Poderes brasileiros quisessem – ou será que praticam?- a lógica do sociólogo italiano Domenico De Masi – o ‘ócio criativo’- levada ao pontapé da letra. Como se a teoria italiana parecesse com isso visto por aqui.

 

Novamente, há ‘éticas’, modos e culturas no Estado brasileiro que precisavam ser rediscutidos. O problema é que isso cabe à sociedade, ao povo. E grande parte deste tecido social vive essa aceitação de padrão de ‘merecimento’ tão pessimamente difundido em cada pessoa e família – ‘ah, mas afinal eu mereço!-. Exatamente o oposto dos países desenvolvidos que primam por fatores como profissionalização, estudo, capacidade, competência, tecnologia, média e alta formação qualificadas etc.

 

A cultura obtusa desse ‘merecimento’ hipertrofiado lembra o padrão de ‘bom senso’ e sua ‘perfeita’ distribuição como teorizava o filósofo René Descartes no sentido de que toda pessoa acha que tem bom senso em suficiência, não precisando de mais.

Assim é o Brasil, esse continuado sonolento em berço esplêndido que insiste em não acordar. Viva o Brasil!

 

Jean Menezes de Aguiar

 

 

 

 

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