O negacionismo do conhecimento

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Há uma forma, pretensamente malandra, de radicais e fanáticos tentarem se igualar a todo mundo. Puxam todos para um mesmo buraco. Usam isso quando precisam mostrar algum equilíbrio.

 

Assim, por exemplo, no caso atual da Pandemia, no meio de uma suposta conversa – fanáticos não conversam, disputam-, o politicamente radical dispara:  – no fundo ninguém sabe a cura, nem governador, nem presidente, nem OMS; ninguém tem bala de prata.

 

Esse totalitarismo, puxando todos para baixo, negando tudo, é uma falsa forma de equilíbrio. Ela força o interlocutor, que pode ser um estudioso, médico ou cientista a concordar pela literalidade, talvez reconhecendo: – sim, vacina ainda não existe.

 

Só este reconhecimento pontual, para o fanático de plantão, já será uma vitória. Ele triunfará: – tá vendo? Você está concordando comigo!

 

O problema é que na história do mundo, em todos os casos, entre o ignorante e o sábio sempre houve um abismo.

 

Qualquer concordância, por mais ínfima que seja, com o fanático, será hipertrofiada por ele no sentido de um automático, e totalmente falso, nivelamento. Se você o considera imbecil, pela ‘lógica’ dele teria que se considerar também um pouco imbecil igual.

 

Às vezes, esta pessoa não quer subir, melhorar ou se aculturar, mas apenas rebaixar o oponente. Vê-se que o estudo da estupidez humana é interessante, inclusive com fontes e exemplos inesgotáveis entre nós, os primatas superiores que um dia aprendemos a usar gravata.

 

Pelo lado de um qualquer estudioso, acostumado com o pensamento crítico; com o método; com o pensamento complexo, entrar num embate com um politicamente fanático ou será perda de tempo, ou um exercício psicológico para testar até que ponto chega sua própria paciência diante da estupidez, ou apenas um equívoco.

 

A negação do conhecimento, pelo tosco, para se igualar ao sábio, em muitos casos parte de um reconhecido desequilíbrio sabido. No fundo o tosco sabe que existem verdadeiros sábios e estudiosos no mundo, mas também não acredita que alguém ‘próximo’ a ele pudesse estar nesta classificação. Sábios, ele considerará, somente icônicos, que já morreram, como Einstein, ou outros totalmente inacessíveis ao seu infeliz mundo de fanáticos.

 

A negação do conhecimento também retira poder do outro. O filósofo Jean-François Lyotard ensina que 3 são as formas de poder: força, dinheiro e conhecimento. Assim, diminuir a quantidade e a qualidade de conhecimento do adversário é uma forma de lhe retirar poder. Automaticamente haveria aí um nivelamento que interessa ao nosso imbecil de plantão.

 

Realmente o conhecimento gera furores. Milionários acham que têm. Veja Trump levantar a voz contra a Organização Mundial de Saúde. Ou ‘autoridades’, como o caso tupiniquim do presidente brasileiro opinar sobre farmacologia, medicina. Um nonsense total.

 

Assim, o furor do conhecimento é secular e chega a quem demonstra rudimentares modos de pensar. O fanatismo a um seguidor político, guru religioso, ou a um desses ‘mitos’ nacionalistas construídos, Hitler, Mussolini e outros, sempre foi, na história da humanidade, uma forma nítida de estupidez.

 

O conhecimento, a sabedoria, a ciência, o estado da arte e a sensatez existem. Como seus belos representantes, que jamais serão confundidos com os obscuros do pensar. Também, o conhecimento nunca foi afetado em sua ontologia pela estupidez ou pelo fanatismo, ainda que estes fatores humanos causem danos às sociedades. O conhecimento segue brando, e contínuo. Fiel a seus seguidores serenos.

 

Jean Menezes de Aguiar



Categorias:Cultura, Política

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