Na onda Marina igreja evangélica quer virar partido político

Igreja pavio que fumega

Podem dizer que a tentativa não é de hoje. Que não tem relação com Marina Silva. Que já existe a [esdrúxula e obscurantista] ‘bancada evangélica’ no Congresso Nacional. Que todos têm direito de querer virar partido político.

Mas não têm. Não é assim. Política e religião – qualquer uma- juntas nunca foram um sinal de avanço. Sempre de atraso. Hajam vista os países com a praga da ‘religião oficial’.

Historiadores e cientistas são unânimes em mostrar o risco da violência e do preconceito nessa junção maldita. Isto para não falar em assassinatos e guerras religiosas.

Exemplos históricos são o 11/9; o 7/7 londrino; as Cruzadas; a caça às bruxas; a Conspiração da Pólvora; a partição da índia; as guerras entre israelenses e palestinos; os massacres sérvios/croatas/muçulmanos; a perseguição de judeus como ‘assassinos de Cristo’; os problemas da Irlanda do Norte; os ‘assassinatos em nome da honra’; os televangelistas de terno brilhante e cabelo bufante tirando dinheiro de ingênuos (‘Deus quer que você doe até doer’); o Talibã explodindo estátuas antigas; as decapitações públicas de blasfemos; o açoite da pele feminina pelo crime de mostrar um centímetro. A relação é do maravilhoso livro ‘Deus um delírio’, do cientista Richard Dawkins, p. 24.

Se a política moderna, ágil, transparente, racional e, sobretudo, não preconceituosa que se exige para uma sociedade atual for contaminada por morais absolutistas, o retrocesso e a discriminação são imediatos. O risco Marina é ‘apenas’ esse: uma moral absolutista.

Ninguém menos que Martinho Lutero tinha plena consciência da incongruência. Suas frases são viscerais: ‘A razão é o maior inimigo que a fé possui’. ‘Quem quiser ser cristão deve arrancar os olhos da razão’.

No Brasil de agora em que a democracia é uma moça jovem, muitos estão deslumbrados com o ‘pode tudo’. Alguns faturando milhões de reais.

O Estado ser laico representa uma proibição rasa e indiscutível de formação de partidos políticos religiosos. Com Marina Silva e sua crendice portátil que usa [e usará – já deu sinais] para fundamentar decisões políticas se vier a ser presidente, haveria uma contaminação na natureza jurídica do ato administrativo pelo mito. O que é totalmente absurdo e rechaçado pela Constituição da República.

Quaisquer manifestações de rezas e ritos junto a atos e decisões administrativos, legislativos ou judiciais os contaminam com parcela estranha e esdrúxula à sua formação racional e legal ínsita. Sejam ligados a Alá, Buda, Maomé, Jesus, Xangô, Deus, Kali, Tor, Odin, São João ou qualquer santo ou, padroeiro.

O mito, qualquer deus, é uma crença, para quem crê. Atos de governo e de política, num Estado laico, não podem jamais ser contaminados pelo sagrado, pela crença de cada um.

Ao primeiro sinal de evocação de mito ou crença juntos a um ato ou decisão estatal ou mesmo num local oficial próprio do Estado, num Estado declaradamente laico como o Brasileiro, é uma impertinência legal, uma impropriedade de gestão e, materialmente, um obscurantismo típico.

Sabe-se, perfeitamente, que este tema desperta fúria e ódio em fundamentalistas, cujo canal de diálogo mais imediato é o xingamento e a agressão. Mas a referência e o estudo a sedimentadas sociedades é um dado comparativo histórico, racional e objetivo.

Repartições e órgãos públicos, financiados pelo dinheiro público, criarem ‘capelas ecumênicas’ em seus terrenos oficiais para que funcionários deem vazão à sua vontade de mito é um absurdo. Terreiros, igrejas e locais de reza não podem ser construídos com dinheiro público. Esta promiscuidade – e provincianismo- precisa acabar.

Todos os países considerados evoluídos estruturaram-se em Estados laicos. Nunca com religião oficial. Por que, então, um segmento religioso como esse da Assembleia de Deus tenta virar partido político? O que se pretende com esse troço medonho de ‘bancada evangélica’? A resposta é só uma: tomada do poder. Implantação de uma religião oficial.

Só que isto enfrenta dois empecilhos. O povo brasileiro é católico, macumbeiro, ateu, budista, judeu, espírita, em sua maioria. Não pode aceitar uma ou outra facção religiosa no poder. E a segunda é o Estado laico. Seus dirigentes e o Judiciário precisam ter moral e força para colocar as coisas em seus devidos lugares. Ver a real extensão do Estado laico.

Rezar é um direito de cada um. Que reze, ore, incorpore, receba e descarregue, quem quiser, nas igrejas, terreiros e templos. Aliás, alguns ritos afro são cenicamente bonitos. Mas não se venha querer disfarçar um golpe no Estado com essa onda de religião e igreja + política.

Luis Buñuel, cineasta espanhol já dizia: ‘Deus e a Pátria são um time imbatível; eles quebram todos os recordes de opressão e derramamento de sangue”. Isto não presta para o Brasil. OBSERVATÓRIO GERAL.

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Categorias:Cultura, Política

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3 respostas

  1. A corrupção, é quem tem o poder de alterar erradamente a constituição de um país laico como o Brasil.

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