Receita de família: Brigadeirão

Hoje é 6a feira e Luisa Toledo vem com suas receitas de enlouquecer. Olha esta foto, veja se não dá água na boca. Mas com a receita há toda uma história de família. Divirta-se. OG.

Todo mundo da minha família por parte de mãe conhece o famoso brigadeirão da tia Leza. O nome dessa tia-avó pode parecer estranho, mas desde que me dou por gente ela é chamada assim. Só muito mais tarde fui descobrir que o nome dela é Lourdes, o Leza é abreviação para beleza. Acreditam? Pois é, quando jovem ela ganhou o apelido de Leza de tanto a chamarem de beleza e o tal do apelido pegou, sempre chamei e vou chamá-la de tia Leza.

Enfim, minha avó nunca foi daquelas inspirações na cozinha, em compensação as irmãs dela tia Tida (não sei de onde vem esse apelido visto que o nome dela é Diomar, se seguirmos a mesma lógica seria de metida? Ela não tem nada de metida, apesar de fazer uns biscoitinhos caseiros dignos de causar inveja!) e tia Leza cozinhavam como ninguém. Acabaram ensinando quase tudo para minha mãe que, assim como suas tias, é uma cozinheira de mão cheia (adoro essa expressão).

Eu sou simplesmente apaixonada por esse doce, desde criança quando ia visitar a tia Leza, em Avaré, ou quando ela vinha até Campinas visitar as netas. Havia sempre um brigadeirão fresquinho nos esperando na geladeira.

Depois que estudei um pouco de gastronomia, quando digo que vou cozinhar as pessoas criam uma expectativa enorme e quando eu quero acertar não tem outra escolha: brigadeirão da tia Leza, faz sucesso por onde passa, conquista até os corações mais amargurados!

Brigadeirão (tia Leza)

Bater no liquidificador:

1 lata de leite condensado

1 garrafinha de leite de coco (muitas vezes eu substituo por uma lata de creme de leite sem soro)

3 ovos

1 xícara de chocolate em pó (sem açúcar – não use achocolatado que não fica tão bom)

1 colher de sopa de manteiga sem sal (recomendo usar para cozinhar a manteiga extra)

2 colheres de sopa de açúcar

Untar com manteiga uma forma com buraco

Despejar os ingredientes batidos (fica bem líquido mesmo, mas cremoso)

Assar em banho-maria em forno pré-aquecido médio a alto por volta de 1 hora, depende do forno.

Para saber se tá pronto eu faço um teste meio a olho, dou umas batidinhas com um garfo na forma e vou vendo a consistência, nem tão mole que pareça líquido, nem tão duro que pareça um bolo. Dependendo do forno às vezes demora mais de uma hora (afinal é banho Maria, tem que ter paciência).

Deixa esfriar um pouco e coloca a própria forma na geladeira, só depois de gelado bater um pouco o fundo da forma na pia, colocar um prato no topo e virar com fé (não vire devagar e sim de uma vez), pode dar umas batidinhas até sentir que o peso saiu da forma.

Aí é só salpicar granulado, pros mais tradicionais, ou raspas de chocolate. Ou então serve assim mesmo que continua incrível!

O meu fica assim:

brigadeiro novoHerança de família é assim, pode vir em traços físicos, em personalidade, em gostos compartilhados, ou em receitas. Na páscoa do ano passado fui visitar minha vó e minhas tias, irmãs da minha mãe, em Paraguaçu Paulista. Não as via há muitos anos, mas numa tarde sentamos pra tomar café e fiquei impressionada com as atitudes, o jeito de cortar o bolo, os gestos, parecia que estava claro ali de que se trata a herança familiar, uma similaridade indiscutível que não se sabe muito bem explicar de onde vem, um reconhecimento familiar, mesmo depois de passar anos distantes.

Eu acho que é disso que somos formados, de uma junção de histórias e personalidades que vêm sendo construídas ao longo de gerações e quando nos damos conta já carregamos  uma bagagem de características de fundo emocional imensurável. Não é à toa que sou formiga, visto que tanto a família da minha mãe quanto a do meu pai são fissuradas por doce, também não é de se estranhar que o que eu mais gosto de comer é o que sei fazer melhor, não sei se sou cozinheira de mão cheia, mas com certeza de mão doce!

lu reduzidaLuisa Toledo/OG

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Categorias:Gastronomia

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