PT-PSDB: quem diria

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Passado o vendaval do primeiro turno as coisas voltam aos seus devidos lugares. Sem mentiras e ilusões, sem engodos marqueteiros chinfrins do tipo ‘política nova’.

À cena, o bom e velho embate polarizado entre PT e PSDB, visceralmente um embate de ideias e rusgas internas amadurecidas. Certamente os dois grandes vieses políticos que mudaram o país nas últimas décadas.

Em resumo, o PSDB pelo fim da inflação e criação do real, marcos históricos sérios e inquestionáveis. O PT por uma revolução social ligada aos pobres, nunca antes vista no país, e a projeção mundial deste ‘novo’ país.

Sem maniqueísmos, apenas observando-se movimentos e reações na sociedade, se as conquistas do PSDB ‘alegraram’ a uma classe média e/ou dominante, as do PT despertaram ódio profundo nestas mesmas camadas.

O problema é que ambas as reformas eram necessárias para que o país mudasse de cara. Não se aguentava mais a incompetência econômica borolenta dos militares e novos governos civis pós-militares. Suas mirabolâncias em choques heterodoxos débeis com economistas yuppies sonhando com prêmios nobéis tunipiniquins.

O segundo turno das eleições de 2014 se torna dramático por questões estruturais internas da própria eleição e da história dos partidos.

Do lado do PT há uma militância figadal, algo como a famosa nação rubro-negra. Seu poder de voto e embate é o sonho de qualquer partido político. Esse idealismo foi conseguido justamente pela qualidade da revolução social produzida. Acusar o PT de ‘tratoragem’ é infantil, afinal qualquer partido político quer a tomada e a continuidade do poder. O jogo democrático muito bem o permite e até estimula.

Já do lado do PSDB há toda uma classe média e dominante que tem seu poder de impactação, jamais pode ser menosprezado, inclusive pela fervura de preconceitos conservadores, o que, desgraçadamente, não é pouca munição num país eternamente seduzido por preconceitos.

Como um terceiro ator, está o Brasil, às vezes sendo empurrado para um lado, às vezes para outro. Os candidatos têm que perceber que a sociedade deixou de ser aquele tecido social pretensamente imbecil que ‘não sabe votar’ – a desculpa canalha usada na ditadura para legitimar, como travesti mentiroso, a razão daquela existência autoritária-.

Os embates precisam abandonar marqueteiros, essa gente infame que não ama o Brasil, apenas suas contas bancárias arrombadas cheias de milhões de dólares. Não se pode vencer por jogos cênicos, risos gentis cínicos, roupas elegantes para impressionar e trejeitos mentais que disfarcem conteúdos, verdades, ideologias claras e pensamentos diretivos não apenas como promessas.

A sociedade precisa repelir fantasias e disfarces. A imprensa e politólogos têm um grande papel aí. Ambos os candidatos, agora, Dilma e Aécio, têm como dar isso à sociedade. Mas devem aprofundar suas ideologias, mostrar suas verdadeiras caras e expor suas ideias mais contundentes.

O embate não é um qualquer. Nem a vitória se vê garantida para ninguém. O PT tem a vantagem de uma maioria nas urnas confortável, sabendo-se que o PSDB não tem, originariamente, uma militância poderosa a ponto de virar o jogo. Mas se é um jogo tudo pode acontecer.

Como Aécio é o ‘desafiante’ precisa se comprometer seriamente com o que a ala velha e conservadora do PSDB insiste em fazer, e não pode, jamais, se tornar uma opção nacional. Por exemplo, a atrasada e incompetente política de segurança paulista e sua mania reacionária por presídios.

O Brasil não pode se tornar um Estado penitenciário. Mas deve aprofundar as reformas sociais de melhoria da qualidade do povo. Principalmente os mais necessitados. Ao mesmo tempo que não tolera mais a histórica corrupção estatal.

Os debates têm que mudar. Não podem mais ser de mentirinha e as emissoras de TV não podem impor seu moralismo farisaico aos comportamentos dos candidatos que, por sua vez, não podem aceitar ser marionetes televisivas. A sociedade tem que exigir verdades, só verdades. Simples assim. OBSERVATÓRIO GERAL.

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Categorias:Política

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1 resposta

  1. O PT tem a vantagem dos mais de 25 milhões de eleitores do Bolsa Família.

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