Religião, seus ódios e preconceitos: amor proibido

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Pouco adianta dizer:  “mas a minha religião não é assim”. Provavelmente é, em um ou outro preconceito. Países socialmente atrasados como Israel, com religião oficial e preconceito instituído no modelo de educação infantil acabam gerando guerras e ódios. Agora os fundamentalistas se insurgem contra o amor. O livro “A invenção do povo judeu”, do historiador judeu Shlomo Sand, professor da Universidade de Tel Aviv é a obra básica para se entender as sutilezas da discriminação religiosa. É inacreditável que em pleno 2013 radicais ainda tenham espaço, condenados por muitos, reconheça-se, mas aceito por um estado leniente e no fundo concordante com a separação. Confira. OG

Grupo em Israel abre disque-denúncia contra casais mistos de árabes e judias

por Guila Flint, do OperaMundi

Tel Aviv – O grupo israelense de extrema-direita Lehava (Chama, em tradução livre) anunciou a abertura de uma linha de disque-denúncia e conclamou a população a telefonar para um número divulgado pela internet e alertar sobre casais de judias com árabes.
O objetivo é “impedir a assimilação na Terra Santa”, ou seja, não deixar que moças judias namorem cidadãos árabes. O grupo, liderado por Bentzion Gupstein, anunciou que tem “profissionais especializados para cuidar desses casos” e afirmou que “antes tentam conversar com as moças e caso isso não resolva o problema, se dirigem aos namorados árabes”.

 

“Não viemos para a Terra de Israel para que nossas mulheres namorem árabes”, disse Gupstein, que já organizou nos últimos anos diversas campanhas racistas, e afirma que o grupo vai impedir os casais mistos “com todos os meios possíveis”. Há dois anos, o grupo realizou uma campanha incitando o público contra lojas que empregam trabalhadores árabes.
O disque-denúncia do Lehava despertou a indignação de muitos cidadãos israelenses, entre eles o rabino Gilad Kariv, diretor do Movimento por um Judaísmo Progressista. Kariv, que é um dos lideres da corrente reformista do judaísmo em Israel, entrou com um pedido junto ao procurador-geral da Justiça exigindo a abertura de um inquérito contra Gupstein e seu grupo, com base na lei israelense que proíbe a propagação de ódio étnico ou racial.

Linchamento

Para Kariv, não se pode ignorar a relação entre a ação de grupos que propagam o ódio e diversos incidentes de violência, por parte de jovens israelenses, contra árabes. Ele se refere a tentativas de linchamento que ocorreram em ruas das cidades israelenses, contra árabes, com clara motivação racista.

Um dos incidentes mais graves foi um ataque de mais de 10 jovens israelenses contra o funcionário de limpeza da prefeitura de Tel Aviv Hassan Ussruf, que ocorreu no dia 24 de fevereiro deste ano. O funcionário estava limpando a rua Herbert Samuel, que fica junto à praia de Tel Aviv, quando os jovens o agrediram e quase o mataram, quebrando garrafas sobre sua cabeça.

Ussruf foi levado inconsciente ao hospital, onde teve que passar por três cirurgias, após ter sofrido fraturas no maxilar, no crânio e no nariz. Após o incidente, Ussruf, de 41 anos e pai de três filhos, perdeu a capacidade de trabalhar. De acordo com sua esposa, Nariman Ussruf, “ele nunca se recuperou e também acho que não vai mais se recuperar”.

“Desde o incidente ele não é mais o mesmo”, disse Nariman a Opera Mundi. “Ele sempre pergunta: ‘por que fizeram isso comigo?’ E repete que só estava trabalhando para sustentar nossos filhos, que não estava fazendo mal a ninguém.”
De acordo com ela, Ussruf ainda tem dificuldades para comer, em decorrência dos ferimentos no maxilar, na boca e nos dentes. Nariman também afirmou que o marido sofre de depressão e ansiedade e não consegue dormir.

O advogado Karni Bustanai disse a Opera Mundi que entrou com dois processos na Justiça: o primeiro contra os agressores; o, segundo contra o Estado, pedindo o reconhecimento de Ussruf como “vitima do terror”. “A agressão que Hassan sofreu não foi uma agressão criminal qualquer, mas sim com motivação racista explícita”, afirmou o advogado.

De acordo com a lei em Israel, vitimas de atos terroristas têm direito a uma pensão do Estado. A lei, geralmente aplicada em casos de cidadãos judeus que ficaram feridos em atentados cometidos por palestinos, também já foi aplicada em alguns casos de cidadãos árabes que sofreram violência só por causa da etnia.

“Além dos ferimentos físicos, ele sofreu uma humilhação que é ainda mais difícil de superar. A humilhação é um elemento psicológico que inclusive dificulta sua recuperação física”, acrescentou Bustanai.

O advogado também disse que sente “uma grande tristeza” ao observar agressões desse tipo na sociedade israelense. “Temos a obrigação de combater todos os grupos que levantam a bandeira da violência e do racismo, devemos tratá-los da forma mais enérgica possível. Não podemos permitir que o monstro do racismo levante a cabeça”, disse. “É muito fácil influenciar pessoas jovens e desorientadas com slogans racistas.”

Segundo Bustanai, o grupo Lehava e outros semelhantes devem ser banidos e declarados fora da lei, “para impedir que o ódio e a violência continuem se propagando”.

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