Bolsonaro e o pensamento conservador na Comissão de Direitos Humanos

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A passagem de Feliciano, deputado da bancada evangélica (mas que diabo é essa bancada evangélica num Estado laico?) pela Comissão de Direitos Humanos foi uma perversão conceitual.

A perseguição sistemática ao problema que parece transtornar a vida de Feliciano, os gays, abriu uma chaga ideológica para a entrada do pensamento ultrarreacionário na Comissão, o que é uma lástima e um atraso. É o pensamento que se gaba de pertencer à contramão da História e da evolução social em todo o mundo.

Ninguém menos que Jair Bolsonaro com sua lógica-revés de uma atualidade pós-moderna que se deseja fraterna e juntiva, cismou de disputar a presidência da Comissão. Mas há uma incongruência aí.

O conceito de Direitos Humanos foi todo funcionalizado, como se conhece atualmente, no pós-Guerra. Foi uma resposta das gentes para conter ‘autoridades’ e Estados ultraconservadores, nazistas, reacionários, fundamentalistas, mais ou menos como as cabeças de Bolsonaro, Feliciano e tantos por aí.

Na entrevista visualizável no Youtube intitulada ‘Bolsonado presidente: imperdível’, em que o deputado no final perde as estribeiras e sai xingando todo mundo, se verifica uma lógica invertida. Como a lógica não se preocupa com a verdade das premissas, mas com a relação entre elas e a conclusão, Bolsonaro consegue até montar um encadeamento no seu raciocínio. Mas a falência de suas premissas, à luz do Direito e da História, é primária.

Direitos Humanos não podem excluir minorias. Também, não podem buscar só proteger maiorias contra minorias.  Ainda, minorias não têm que ‘obedecer’ à maioria. Se fosse assim, como sugere o deputado conservador, não se teria uma sociedade fraterna, mas uma sociedade nazista em que a força opressora de uma maioria, até militarizada, se fosse o caso, teria que ser aceita como norma de conduta e moralidade. Foi o sonho nazista que dizimou imensas fatias da população na Alemanha.

Os critérios devem ser objetivos e não medidos por minorias ou maiorias, querendo que as maiorias sejam as ‘vencedoras’. Num regime sadio não pode haver perdedores pelo fato de eles pertencerem à minorias. Num regime fraterno não se aceitam perdedores ou cidadanias menores ou de segunda classe, apenas porque seriam de quem está ou é da minoria.

Como a Câmara dos Deputados é um vale-tudo que chegou a cometer a esdruxularia máxima e incomparável de dar a presidência da Comissão de Direitos Humanos para aquele Feliciano, nada mais surpreenderá.

O povo tinha que se insurgir contra esse novo golpe no conceito de Direitos Humanos. Mas dificilmente terá ‘tempo’ para essa questão. Enquanto isso, sim, minorias continuarão a ser desrespeitadas. E o Legislativo continuará a ser um exemplo do absurdo. OBSERVATÓRIO GERAL.

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Categorias:Fala sério

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3 respostas

  1. Quanta deturpação da verdade num só texto!!! Em momento algum vi Bolsonaro com pensamento conservador, mas sim que devemos RESPEITAR (leu bem? rreesppeeiittaarr) a todos (cita a constituição que somos todos iguais) e não dar privilégios a uma ou outra parcela de pessoas. Tudo que vi nesse movimento até agora “modernos” foi desrespeito a outros pensamentos, credo e conceitos, como se eles fossem superiores e que se vc diz ser um hétero vc é preconceituoso/criminoso; e aproveitamento pra mais uma corrupçãozinha pra passar a mão no dinheiro público!!!

  2. senhor moderador coloquei essa carinha pra acompanhar os comentários pq só vi depois que escrevi e enviei a primeira participação a opção de seguir os comentários dessa página. Espero que não seja censurado por pensar contrário ao texto como muitos site o fazem 🙂

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