Lula ainda é imbatível em 2018?

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Nas duas últimas eleições houve muitos candidatos entalados com a ‘proibição’ partidária, ou lógica, de atacar Lula. O sapo barbudo era intocável. Os mais fundamentalistas, os mais reacionários, os mais ultradireitistas tinham que se conter. Falar mal de Lula era perder voto.

Também foi assim com o pessoal do centro, os muristas, que ora pendem para a esquerda, ora para a direita. Mais para esta do que aquela. Aécio Neves e Marina Silva tiveram que fazer ginástica. Podiam bater em Dilma e no governo como um todo. Mas em Lula, jamais.

Algo mudou? O que pode ter mudado?

O escândalo Petrobras-Lava Jato vem respingando falcatrua e sujeira para todo lado. Empresários ‘seríssimos’, que frequentavam os salões mais nobres da ‘sociedade’ estão no xilindró. Muitos já condenados como criminosos mais que comuns. E mais: por crimes infamantes, ligados à desonestidade com dinheiro.

Observadores atentos têm reparado que alguns ‘cercos’ vêm se fechando. Opositores a Lula, a Dilma e ao PT reclamam de certa morosidade na investigação relativa a eles. Já os defensores, reclamam de uma aproximação ‘ilegítima’ da Lava Jato a Lula, no sentido de que uma investigação do ex-presidente seria um fato (jurídico) infame.

A partir daí, desses extremos, algumas coisas precisam ser postas nos lugares. Com alguma isenção.

Não existe pessoa acima da lei; isto é o óbvio. Tem que ser. No Estado de direito, regular, democrático, social, qualquer um pode, e deve, ser investigado se houver motivo. Motivações ‘políticas’ – e não jurídicas- são relativamente fáceis de serem percebidas, como falsas. Na época da ditadura militar havia isso. Faltavam provas em muitos casos, mas o procedimento judicial militar era finalizado com condenações infames, emudecidas, às quais ninguém podia discutir.

Só que os tempos atuais são outros. Processos judiciais são pesquisáveis e mesmo visualizáveis na internet por qualquer um. A tônica maior de transparência relativamente ao poder judiciário, além da velha fundamentação das decisões, é a permissão democrática de consulta a processos e julgamentos.

Dois efeitos podem estar sendo gestados com o escândalo Petrobras-Lava Jato. O primeiro, a quebra da aura de que Lula seria ‘ininvestigável’. Mais ou menos como o cientista-almirante que foi preso e muita gente disse que era ‘um absurdo’, uma agressão à ciência brasileira. Mas ora, e se o sujeito recebeu propina e foi mesmo corrupto? Pelo fato de ser um cientista importante, tem ‘imunidade’? É óbvio que não. Essa ‘escolha absolutória prévia’ que alguns quiseram é discriminatória e privilegiante. Isso sim é um absurdo.

O segundo efeito é praticamente o primeiro, só que agravado. Pode ser que seja necessária, sim, uma investigação sobre Lula para que se certifique sua inocência ou culpa, neste sórdido episódio de corrupção.

Uma resposta certeira de Lula houve. Importante neste cenário de acusações leigas e suposições. O Instituto Lula abriu – se viu forçado a abrir- os nomes dos clientes de palestra do ex-presidente. Resta saber se esta atitude será o suficiente ou se aparecerão efetivamente provas contra ele.

Se Lula pensa em voltar em 2018, quem deve ter pressa com investigações e uma declaração de honestidade cabal é ele próprio. Se permitir a nuvem que impede a transparência dos fatos, mesmo que fique apenas em nuvem e não haja uma condenação, eventual candidatura em 2018 poderá estar seriamente comprometida.

Por outro lado, no plano estritamente político, uma oposição sagaz poderá querer manter esta nuvem se nada juridicamente aparecer contra Lula. Arrastando-a até 2018. Mas dificilmente conseguiria. Com a Lava Jato na sua 18ª edição, estima-se que muito mais não haja. Ou há, e será algo do estilo o último que sair apaga a luz. Façam suas apostas. OBSERVATÓRIO GERAL.

[Artigo republicado no BRASIL 247]

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Categorias:Política

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