O impeachment virou piche: o tapa-buraco ideológico

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Ainda há perdidos no baile republicano falando em impeachment. Pura ociosidade ideológica. Teimosos, analfabetos políticos e intolerantes de carteirinha passaram a repetir a tese como mantra. Sem perceber sua obsolescência episódica.

Por outro lado, uma imprensa fácil ainda consegue lucrar algum com a manchete. Vende-a como opinião pública, escondendo seu real perfil: opinião publicada.

O impeachment é um instituto possível no sistema brasileiro. Só que totalmente blindado por uma responsável Constituição da República que exige condições juridicamente sérias e precisas. O Brasil já foi suficientemente desmoralizado por ter sido o único país do continente a dar aquela contribuição histórica infame de presidente impichado. O vergonhoso caso Collor. Está de bom tamanho. Espera-se, para o bem da sociedade brasileira, que aquele seja o último e não haja outro, seja do PT, PSDB, ou qualquer pê por aí.

Sobre a onda-impeachment-2015 quem surfou, surfou, quem não surfou, não surfa mais. Dirigentes de última hora de movimentos sociais online, em muitos casos manipulando manipuláveis e dando nomes escoteirísticos ou messiânicos a suas agremiações de rua, conseguiram muito em tempos de internet. Engordaram imensas passeatas pelo país se firmaram como ‘lideranças’.

Se as elites são intelectualmente toscas, como se diz, sua manipulação parece ter ficado evidente nessas enchentes populacionais que as Avenidas Paulistas do país assistiram em 2015. Uma horda marchando. Mas repare-se, também fazendo felizes selfies e se facebookiando numa espuma da reivindicação revolucionária fake, ou seja, enquanto a passeata permitia fotos.

Barões da política oposicionista, por todos o velho FHC, que seus pupilos com dificuldades de entendimento sociológico e político não deixam descansar, e até alegres banqueiros, já abandonaram a canoa furada do impeachment. O prejuízo econômico e social da desordem seria mil vezes pior do que aquele de Collor, um então presidente sem partido, sem ideologia, sem militância, sem visão e sem jogo político.

Um impeachment de uma Dilma Rousseff nas condições atuais, com a boa visão internacional que ostenta; sem minimamente um crime definido; com as existentes alianças do governo e uma militância popular para lá de forte e coesa, além de um partido fortíssimo; seria um desastre anunciado. Uma convulsão social caríssima. Ainda mais agora que Lula se lançou candidato-2018 sem ter se descolado visivelmente de Dilma.

Se o impeachment não era, suponha-se, no início de tudo, no início do ano, um movimento golpista, porque alguns ainda acreditavam que pudesse haver o tal crime contra Dilma Rousseff, agora se torna totalmente ilegítimo. Passados tantos e tantos meses o suposto crime não apareceu. Nenhum promotor do país, ninguém, apontou qualquer suposição criminosa que minimamente pudesse ensejar um ‘tipo penal’.

Para confirmar a triste onda golpista veio a fala infeliz de um ávido Aécio Neves – que a oposição insiste em deixar solto falando bobagens-. Em entrevista, afirmou o senador que ‘ainda’ não há motivo para impeachment. Ainda? Então estão ‘procurando’ um. Nada mais fraco, mais débil do que uma fala dessas. Ou há uma causa para impedimento ou não há e ponto final. Roberto Campos e confrades se reviraram no túmulo com esse ‘ainda’ de Aécio. Brizola e turma, gargalharam no ceu.

A oposição brasileira vai de mal a pior, fraca, desorganizada e mesmo desleal. Um governador de São Paulo em nítido fogo amigo de romance com Dilma, querendo reservar sua beirada na possibilidade de se candidatar a presidente-chuchu. Outros não sabem bem o que é impeachment, um fala e o outro desmente.

O governo Dilma continua ruim, bem ruim, como se conheceu um FHC ruim, bem ruim. Mas, ou povo aprende a contribuir positivamente para melhorar a ‘sua’ sociedade, exigindo coisas sérias e responsáveis, ou fica nessa esperança postergada de providência do Estado-ilusão.

Só precisa parar de falar nessa bobajada de impeachment. Ou mesmo se envergonhar de pensar nisso.

PS. Em 13.5.2015, publiquei, aqui mesmo, o artigo ‘Dilma, salve o PT e o Brasil: corte 10 ministérios’. Agora, quase 4 meses depois ela anuncia o corte de 10 ministérios. Antes tarde do que nunca. Aí pode estar uma boa resposta para a sociedade. Nenhum presidente teve coragem de fazê-lo. Se ela fizer todos terão que reconhecer o ato. OBSERVATÓRIO GERAL / Jean Menezes de Aguiar.

[Artigo republicado no BRASIL 247]

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Categorias:Política

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